14 janeiro 2010

Acho que nem sou daqui ..

Algumas vezes eu penso
Que não faço parte disso
Algumas vezes eu vejo
Caírem grandes promessas
Que não fiz

É difícil acreditar
Que não há nada além
Que se está sozinho
Mas não há lugar para ficar
É um outro caminho

E não há nada á sentir
Esperando apenas
Qualquer coisa
Que faça acreditar

Vendo uma cidade
Escondida em becos
Algo diferente acontece
E a realidade vive
Entre grandes aspirações
Nada que eu queira
Ou siga

Algo controla
Pensamentos estranhos
Que se ocultam
Em desesperada harmonia
Gritos baixos
Não mostram descontentamento
E seguem em objetivos
Que não são seus

Algumas vezes eu penso
Que não faço parte disso
Algumas vezes eu vejo
Que nem sou daqui
Mas é por muito pouco tempo
Pra que a ordem do momento
Não se altere
Espalhando então
Verdades em um ventilador

25 dezembro 2009

Um sonho

Escrevo para não esquecer:
O ônibus parou, por algum motivo não esclarecido a estrada estava impedida. Sem tempo para dúvidas, peguei minha mochila e fui a pé. Não se espante, andar a pé é nosso meio de transporte mais natural e óbvio, além disso, era apenas um sonho.
Eu sabia o caminho, as rotas serpenteantes e úmidas eram velhas conhecidas. Chovia sem tréguas, encharcando-me toda e meus pertences, porém isso parecia não importar. A chuva era parte intrínseca daquele lugar, um alívio, água matando a sede, conforto, só confirmava o quanto era ali mesmo que eu estava.
Seguindo, pequenas cidades iam aparecendo, lúdicas como brinquedos, surgindo e ficando para trás. Meu trajeto cruzava por algumas. A chuva ia cedendo. Havia igrejas, belas igrejas em que entrei. Os interiores de louça lisa e brilhante faziam-me sentir dentro de uma bonita xícara de chá. Ao invés de cruz, presépios, santos ou anjos, diversas representações de pessoas sorridentes brotavam do chão, tais quais estalagmites de uma caverna, uma celebração de felicidade.
A chuva passou e as cores tomaram a paisagem. Cores próprias do mundo onírico, extremamente saturadas, vivas. O azul do céu e o amarelo do sol se misturavam nas superfícies redondas das montanhas, uma colcha macia de retalhos verdes desarrumada gostosamente sobre a cama. Encontrava pessoas que me acenavam de forma calorosa e amigável. Era tudo tão simples, caminhar, ir em frente. Fluía como música, cada nota em seu lugar, melodia de gaita e violão.
Despertei com ela ainda tocando e nunca desejei tanto entender de música para não deixá-la prisioneira em meu sonho. Soou pelo resto do dia e está aqui comigo agora. A esperança é que essas palavras possam ajudar a adivinhar um pouco da alegria boba que ela me trouxe.

Feliz Natal para todos!!! Que essa melodia invada o dia de hoje e todos os outros dias que se seguem, fazendo mais alegre e colorido o caminho diário de cada um!

12 dezembro 2009

Direitos e deveres

Muito se fala sobre igualdade, é igualdade pra lá, igualdade pra cá. Igualdade de direitos. Negros, mulheres, deficientes, “pobres”, gays, é infindável o número de grupos buscando tal “liberdade”, seja ela para que for.

Concordo que todos merecem oportunidades iguais, tratamento se não igual, semelhante e jamais perder liberdade por algum fator genético ou uma escolha “diferente”. Então, muito se fala sobre igualdade do direito, mas pouco ouço sobre igualdade do dever.

Firmo-me, primeiramente, num exemplo muito claro que são os tais “bolsistas” (bolsa família e afins). Enchem a boca para exigir uma ajuda mensal, afinal precisam e os convêm como direito, mas “coçam saco” na hora do seu dever de TRABALHAR. Fácil exigir, difícil é merecer.

Aposentados

Os aposentados, no entanto, trabalharam arduamente, cumpriram dois deveres, o de trabalhar e o de pagar para que um dia pudesse usufruir a tão esperada aposentadoria. Todos, ou pelo menos a grande maioria deve conhecer a situação atual dos nossos aposentados. Bolsas rolam por aí, incentivo à vagabundagem é o que não falta, mas a quem a vida toda trabalhou não dão um mísero reajuste, e seus salários, muitas vezes único meio de sustento diminui a cada ano.

A indignação é evidente, afinal muito se cobra sobre direito. É direito que não acaba mais, até quem mata tem direito, quem estupra tem direito, mas cadê o chamado dever? “Dever em primeiro lugar” é o que escuto desde minha infância, porém poucos parecem conhecer isso. É injusto, é revoltante. Tudo bem, o bandido tem redução de pena, agora o aposentado tem que brigar com unhas e dentes para um pequeno reajuste. Que país!

Chuvas

É complicada a situação, para enfrentar a natureza precisamos de governo e população. Aqui no sul a coisa está bem complicada e tenho certeza de que lá pra cima não é diferente. Apesar de onde moro não estar sendo atingido por nada de mais sinto pelos que estão. É uma gente que pouco pode fazer, mas o pouco que podem, acho que não estão fazendo. Lugar de lixo é de lixo e não entupindo bueiro.

04 dezembro 2009

30 novembro 2009

Lagartixa..

Andei mais um dia por ai, como se passos fossem dar respostas. Vi muita gente, reparei em cada parede, em cada painel e calçada. Virei o pescoço e descobri o mundo.
Há se tivesse acordado antes daquele sonho individual, solitário e auto-suficiente acontecer. Há se tivesse percebido que somos completos e imperfeitos ao mesmo tempo, que nada se basta sozinho.
As fachadas na cidade, as pixações. Pequenas histórias, pequenas mensagens, um pouco de expressão, um pouco de poesia. A particularidade que abarca um todo, um todo construído de particularidades.
Na vitrine de uma loja havia uma lagartixa, uma dessas pequenas histórias, a historia do pequeno réptil. Os carros passavam, as pessoas passavam, e a lagartixa intacta na vitrine. Será que alguém á viu¿ Se viu não matou, e assim ela vai vivendo na vidraça, anônima no centro da cidade.
Talvez sejamos também anônimos, alheios ao universo, talvez sejamos universos particulares e interdependentes. Escrevo diante da janela, na frente da rua, pessoas passam a todo o momento, carros, motos e bicicletas vem e vão. Talvez eu esteja na vidraça esperando algum inseto.
O mundo acontece nos muros, nos sorrisos, nas placas, no barulho do vento, como fragmentos de uma enciclopédia sem fim. As coisas se dependem para existir, a pessoalidade acontece em meio à universalidade.
Depois de tanto caminhar só pude constatar que estava tudo ali, bem na minha frente, uma conclusão óbvia! Conclusões óbvias, são difíceis de entender e até mesmo de acreditar. Como quando descobriram a lei da gravidade por causa de uma simples maçã.
Um outro ângulo irradia todas as coisas agora, é como deixar de usar uma corrente nos pés ou retirar os óculos escuros em um dia de muito sol, como na história daquele mito, ainda hoje vivemos em cavernas.
Acontece primeiro o susto, os pés que já estavam acostumados com a dor da corrente demoram a se adaptar á liberdade, e a retina que quase não via luz se dilata no momento da retirada dos óculos, você se torna cego logo de uma vez ou talvez um louco que não queira ver o que ô cerca, poucos enxergam depois de ver o sol bater forte, a coragem de vencer uma crença é escassa, difícil de alcançar, melhor para os homens enfrentar uma guerra sem sentido, levar um tiro e morrer por uma ilusão do que retirar o véu que encobre todos os ideais forjados.
Os novos sentidos adquiridos aos poucos enquanto a pupila dilata são difíceis de serem explicados, muito diferentes de uma explicação comum, é tão mais fácil viver em um mundo particular e continuar com os ideais, com as crenças comuns de não precisar de nada alem de si próprio. O que há agora não é um egoísmo triunfante, é uma vontade que compete para o bem de tudo, é uma lógica sensitiva, se é que isso existe, a luz não existe sozinha ela só acontece se conseguir se infiltrar em todos os cantos possíveis.
A importância das pequenas coisas, dos pequenos milagres, a coragem de acreditar em sonhos, a atenção com algo mais alem da ponta do nariz, é a engrenagem que faz continuar, que não se deixa alienar. Se antes era uma parte desconexa de um todo, agora entendo o processo, ou melhor, sinto o processo. É só fazendo parte do processo que se torna o todo, que se constrói algo, observando as janelas e as lagartixas.
São outras as realizações agora, não que aquelas antigas não aconteçam mais, a diferença está na importância de cada elemento, em saber o que buscamos e porque buscamos. Mais do que querer ganhar, a atenção se volta agora para não perder, para não deixar passar os momentos e as pessoas, pois é tudo aquilo que já temos que faz falta, sentir falta do inalcançável é mergulhar em um caminho sem volta em que nada se basta já sendo ultrapassado no momento da chegada.
Não digo para deixar de lutar, de correr atrás dos objetivos, dos sonhos... Afinal esse é o sentido de viver, mas é preciso ficar atento, com calma e compreensão do todo. Tudo acontece naturalmente como em uma sinfonia, um arranjo perfeito de música, quem resolveu fazer o show sozinho caminhou mais rápido que a velocidade necessária e chegou perturbado no fim da linha.

Obs. Sei que perturbado sou eu com esse texto, porem, entretanto, todavia, contudo, serve pra quebrar um pouco o gelo dos textos estritamente lógicos e politicamente corretos e muitas vezes ate mesmo ...Chatos! Áhh, se não entenderem nada a culpa é minha não se preocupem ...Abraços = )

28 novembro 2009

Pedido de desculpas

Primeiramente gostaria de me desculpar com os leitores, especialemente aqueles que tem nos acompanhado mesmo que de forma discreta desde o inicio.
Esse segundo semestre tem sido um pouco complicado para mim e talvez por isso tenha dado menor atençaão a esse espaço do que ele merece, essa semana não consegui postar um texto a tempo.
obrigado pela atenção e gostaria de fazer novamente um convite para quem esteja disposto a escrever textos para o subestação, estamos de braços abertos para receber outras opiniões.