25 setembro 2009

Honrados recebemos também a carta ao CQC...

Olá pessoal do CQC.


Venho por meio de este apresentar a indignação dos estudantes da Universidade Estadual de Goiás (unidade ESEFFEGO).
O MEC há dois anos a trás informou à nossa universidade de que a quantidade de professores concursado estava inferior a mínima exigida para se considerar uma instituição apta a lecionar como instituição de ensino superior. Fizemos uma greve no ano de 2007 para que nosso reitor (eleito de forma ilegal já que não poderia mais estar na instituição) acatasse nossas reivindicações que eram de: melhorar a estrutura da universidade; efetuar o pagamento dos professores em dia (alguns atrasaram sete meses) e abrir o concurso para que os professores contratados pudessem ser concursados e desta forma executarem seus deveres com tranqüilidade e qualidade (legalmente aparados pelos direitos de professor concursado). O nosso governador nos prometeu estas conquistas e então encerramos a greve.
Infelizmente como sabemos a maioria dos políticos neste país só nos enganam e pensam que somos bobos!
A UEG é usada como palanque político desde sua criação. É uma universidade que todo político cria uma unidade no interior do estado e desta forma usa este ato para anunciar seus feitos políticos e arrecadar votos, o que a população não sabe é que os cursos são deixados de lado e não possuem estrutura física e muito menos financeira para sua existência, ficando assim os alunos jogados ao vento e os políticos bonitinhos ganhando voto da população que desconhece o que está acontecendo por de trás dos bastidores.
Hoje lutamos desesperadamente para alcançarmos a comunidade e mostrarmos o que a instituição que um dia já foi uma das melhores do país e ensinou gerações (da minha família eu sou da terceira geração) está como umas das piores e os próprios vestibulandos e seus pais desconhecem o que está acontecendo.
Após assistir ao programa de vocês percebi o potencial que temos de alcançar o que desejamos e até mesmo conversar diretamente com quem nos engana e tapeia a sociedade.
Este é o apelo de um jovem que estudava em uma instituição particular e que transferiu para uma instituição pública pensando ter realizado o sonho de estudar em uma instituição de respaldo nacional e hoje percebeu que esta, está prestes a acabar por descaso dos nossos governantes.
Estudamos quatro anos e agora estamos prestes a não recebermos nosso diploma!Serão muitos os prejudicados.
A mídia não comparece aos nossos pedidos de ajuda a não ser no dia 25 de setembro de 2009 que decidimos fechar a principal avenida de nossa cidade (Goiânia), ferindo assim os interesses de inúmeras pessoas para que pudéssemos ser ouvidos e percebidos.
Espero que leiam esta carta e entrem em contato conosco, pois hoje os estudantes (futuro do nosso país) estão sendo deixados de lado e quem sabe um dia isto não poderá acontecer com o filho ou parente de um de vocês.
Assisto sempre que posso ao programa de vocês e gosto muito do jeito que vocês estão tratando o humor no Brasil, ajudando inúmeras pessoas e mostrando ao povo brasileiro como devemos lutar pelos nossos direitos.
Parabéns CQC, nós torcemos para que este pedido seja escutado!!
Um grande abraço a todos do programa!
Fica aqui o registro da indignação dos estudantes do Estado de Goiás.

Lucas Rocha Costa (4° período vespertino) UEG –ESEFFEGO Educação Física

17 setembro 2009

Em semana farroupilha no sul, o Brasil mostra seu armamento...


Esta semana me permiti voltar a por em pauta a política no meu texto. Talvez seja apenas esta semana, talvez perdure durante algumas outras, depende de como andará esse velho mundo. Preciso confessar que fica difícil escolher um assunto específico, como gaúcho teria o pedido de impeachment da nossa governadora, os protestos do CPERS entre muitos outros, mas prefiro ressaltar outros assuntos que tenham mais interesse aos nossos queridos leitores, que em sua maioria, acredito eu, não são aqui do sul.

Pois bem, estamos armados. Nem Deus sabe quando estaremos de fato armados, mas pelo menos o senhor de Brasília tomou providências para “engrossar” nosso estoque bélico. Ai, ai, como seria bom se a notícia parasse por ai, seria agradabilíssimo se pudesse apenas falar: nosso presidente quer defender o país. Mas sendo eu, é quase impossível o nome de Lula não vir seguido de algumas críticas.

Entendo como é importante a proteção do país, como é importante que mantenhamos nossa Amazônia segura, nossas terras seguras e agora nosso “pré-sal” seguro. Apesar de sermos um país da paz, não estamos livres de nações interessadas em nossas riquezas, assim como há muito, muitas se interessaram e por falta de defesa, nos levaram tudo que puderam (já não foi de mais?). Tudo é de fácil compreensão, principalmente esta intenção nobre do presidente nos defender, mas será que isso é possível com as nossas últimas aquisições? Primeiro: a França demorará anos para nos entregar os submarinos, algo em torno de 6 anos, e mais de 10 para a entrega do submarino nuclear. Segundo: será que as aquisições feitas pelo presidente são realmente a melhor escolha? Com certeza os países que podem nos ameaçar têm armamento muito mais avançado do que essa “velharia moderna” que compramos. Terceiro: como a decisão da aquisição foi tomada? (essa é uma informação que me falta) será que o presidente apenas escolheu o mais bonitinho? Somos da paz, e acho que deste jeito continuaremos da paz, ou lutaremos como ato de sacrifício, com morte certa. Seria uma briga, que, assim como os índios de Cabral, lutaremos com arco e flecha em punho.

São anos esperando por um armamento xucro, um armamento que de nada nos adiantará. Não podemos entrar na guerra pela metade, se quisermos entrar, precisamos calçar as galochas empunhar as armas e ir à luta com todos nossos recursos. Penso quanto o senhorzinho do Planalto estaria levando na compra deste maquinário bélico.

São coisas sem fundamentos, são atitudes sem perguntas, são enganações sem explicações. E o pré-sal tanto falado, trará frutos para daqui quinze anos quem sabe, onde carros elétricos estarão em alta com certeza. Veremos se o petróleo estará tão em alta o dia em que os frutos estiverem maduros. Provavelmente nossas armas servirão apenas para defendermos nossa água, e esta com certeza teremos que agarrar com tudo, e não serão alguns submarinos enferrujados que nos defenderão de nações sedentas.

Que este fique registrado, que daqui há alguns anos possa ver o quão errado eu estava, pois se não estiver não sei se vou querer ler em quinze ou vinte anos.

**Escrevo tão indignado, pois escutei na rádio que um jornal francês publicou uma reportagem caçoando da velharia que o Brasil comprara. E acredito, apesar de ser leigo no assunto, afinal quando nosso dinheiro é bem gasto neste país?

10 setembro 2009

Boneco do espetaculo "Os Orixás" do teatro Giramundo

Há um tempo já (nem tanto), quando era criança, íamos, eu e antigos amigos, fazer trabalhos escolares na biblioteca municipal da pequena cidade onde morava. Havia um livro lá, diferente, grande, pesado, Ewé o livros das plantas era o nome. O trabalho parava, ficava para depois, feito às pressas. Era um livro, na nossa concepção, de magia. Sim, bilíngue, em português e em alguma desconhecida língua africana, com belos desenhos botânicos (talvez venha daí minha admiração por desenhos botânicos). Como ele foi parar lá? Nem imagino. Ensinava "trabalhos" (no sentido de magias, feitiços, não sei se posso chamar assim) feitos com plantas. Algumas bibliotecárias atemorizadas o escondiam, mas no fim a gente sempre dava um jeito de encontrá-lo novamente. Outras acabavam lendo-o junto conosco. Era incrível e divertido. Muito mais do que os livros de educação sexual direcionados para o público infantil disponíveis lá também. Seria mesmo possível mandar sonhos ou pesadêlos para alguém, ficar invisível, fazer chover? Nunca testamos, até porque muitas plantas citadas não eram fáceis de se encontrar. Mas, para crianças mandadas às aulas de catecismo pelos pais, aquele livro abria uma porta para o novo, desconhecido, uma outra forma de pensar a vida, o mundo e a realidade.

Dia desses, perdida pela internet, cheguei até o blog Candomblé onde esse livro é uma sugestão de leitura. Então descobri ao que se relacionava. E pude ter uma idéia, conhecer melhor, ao menos teoricamente, essa religião. Nunca fui a um terreiro. Quem sabe um dia, se tiver a oportunidade, para ver e sentir de perto. A quem lê fica a sugestão, de também visitar o blog, procurar saber. Não se conformar com opiniões, muitas vezes, pautadas pela ignorância e preconceito.

Porque o primeiro passo para oprimir e escravizar um povo é rebaixar a cultura desse povo, desvalorizar seu pensamento, desautorizar suas interpretações da realidade, considerá-los menor ou pior. Dizer que as religiões de origem africana são "macumba", "coisa do diabo" é ainda eco de um passado triste de escravidão que necessitava desse rebaixamento para se sustentar. Mas essa cultura sobreviveu, influenciou e foi influenciada (o que seria de Picasso sem as máscaras africanas?), está viva até hoje, sendo também cultura brasileira, cultura de todos os outros países que igualmente receberam africanos. Uma religião milenar, como o candomblé, com uma "mitologia" comparável à grega (por que não?), com orixás femininos fortes e que outros orixás não ousariam enfrentar, que não abusa de noções de culpa e pecado, merece respeito, merece muito respeito!

Que tenhamos coragem de não matar na gente a criança que faz, sim, seus julgamentos (é impossível não fazer), porém ainda não de forma taxativa, que ainda não aprendeu a intolerância, que se sente fascinada pela diferença, porque sabe que tem muito a aprender com ela, e não amedrontada. À Africa agradeço pelas encantadoras tardes propiciadas por aquele livro!

03 setembro 2009

Despidos de Razão

Uma multidão reunida, em cada rosto uma expressão diferente embora compartilhem o mesmo sentimento de apreensão. Essa não é uma multidão comum, nem sei se pode ser chamada de massa, pois é bem heterogênea, mas ao mesmo tempo é também uniforme, sobretudo quando a seleção faz um gol... Gol do Brasil! Alegria geral, braços levantados, beijos e abraços, orgulho nacional.

Essa é a história de um país que se entende como nação no futebol e no carnaval. Nossas batalhas são travadas em estádios, nossos heróis ganham medalhas a serviço do governo federal, derramando suor ao invés de sangue. Talvez por isso sejamos conhecidos como povo pacífico, mas povo pacífico não existe, o que existe são povos que ocultam as verdadeiras lutas da sua terra.

Esse país é um lugar dos sonhos, com samba praia e muito sol, é onde as crianças não choram, e as mulheres esperam com a comida na mesa para seus maridos, que no final de semana se reúnem em torno de um objetivo comum: a chamada paixão nacional.

Em 2014 a copa do mundo será realizada aqui no Brasil, nada mais justo, tendo em consideração a nossa imensa contribuição para o futebol internacional e é claro nossa receptividade sem igual.

Mas o que fica para nós depois dos jogos? Até que ponto nossa paixão exagerada é benéfica? Faz sentido gastar de forma desmedida em uma atração, enquanto não temos nem hospitais? Pelo que sei, os estádios não assumiram ainda a função de escolas ou universidades, e é disso que estamos precisando.

O uniforme verde e amarelo, que apertamos contra o peito, esse choro e essa felicidade, toda está fidelidade aos jogos, isso não representa o amor a este país. Pois amor é bem diferente de tudo que vemos por ai, ser brasileiro é amar esse povo, lembrar que somos irmãos, pensar que perdemos a todo o momento, não quando a seleção deixa de ganhar, mas quando reproduzimos uma verdade que á 500 anos não quer mudar, uma verdade de dor e exclusão.

É toda á droga disfarçada de nacionalismo, é o pão e o circo mais uma vez, é uma copa disfarçada de vitória e jogadores disfarçados de heróis. Escrevemos uma historia falsa para esconder nosso atraso e nosso medo, uma historia de paz e união, uma história na melhor das hipóteses machista, afinal de contas esse é um país só de homens campeões, nossas mulheres só aparecem dançando peladas no carnaval. É o que oferecemos para o mundo..

Esse é o país da pelada e das peladas, totalmente nú, despido de razão.