25 dezembro 2009

Um sonho

Escrevo para não esquecer:
O ônibus parou, por algum motivo não esclarecido a estrada estava impedida. Sem tempo para dúvidas, peguei minha mochila e fui a pé. Não se espante, andar a pé é nosso meio de transporte mais natural e óbvio, além disso, era apenas um sonho.
Eu sabia o caminho, as rotas serpenteantes e úmidas eram velhas conhecidas. Chovia sem tréguas, encharcando-me toda e meus pertences, porém isso parecia não importar. A chuva era parte intrínseca daquele lugar, um alívio, água matando a sede, conforto, só confirmava o quanto era ali mesmo que eu estava.
Seguindo, pequenas cidades iam aparecendo, lúdicas como brinquedos, surgindo e ficando para trás. Meu trajeto cruzava por algumas. A chuva ia cedendo. Havia igrejas, belas igrejas em que entrei. Os interiores de louça lisa e brilhante faziam-me sentir dentro de uma bonita xícara de chá. Ao invés de cruz, presépios, santos ou anjos, diversas representações de pessoas sorridentes brotavam do chão, tais quais estalagmites de uma caverna, uma celebração de felicidade.
A chuva passou e as cores tomaram a paisagem. Cores próprias do mundo onírico, extremamente saturadas, vivas. O azul do céu e o amarelo do sol se misturavam nas superfícies redondas das montanhas, uma colcha macia de retalhos verdes desarrumada gostosamente sobre a cama. Encontrava pessoas que me acenavam de forma calorosa e amigável. Era tudo tão simples, caminhar, ir em frente. Fluía como música, cada nota em seu lugar, melodia de gaita e violão.
Despertei com ela ainda tocando e nunca desejei tanto entender de música para não deixá-la prisioneira em meu sonho. Soou pelo resto do dia e está aqui comigo agora. A esperança é que essas palavras possam ajudar a adivinhar um pouco da alegria boba que ela me trouxe.

Feliz Natal para todos!!! Que essa melodia invada o dia de hoje e todos os outros dias que se seguem, fazendo mais alegre e colorido o caminho diário de cada um!

12 dezembro 2009

Direitos e deveres

Muito se fala sobre igualdade, é igualdade pra lá, igualdade pra cá. Igualdade de direitos. Negros, mulheres, deficientes, “pobres”, gays, é infindável o número de grupos buscando tal “liberdade”, seja ela para que for.

Concordo que todos merecem oportunidades iguais, tratamento se não igual, semelhante e jamais perder liberdade por algum fator genético ou uma escolha “diferente”. Então, muito se fala sobre igualdade do direito, mas pouco ouço sobre igualdade do dever.

Firmo-me, primeiramente, num exemplo muito claro que são os tais “bolsistas” (bolsa família e afins). Enchem a boca para exigir uma ajuda mensal, afinal precisam e os convêm como direito, mas “coçam saco” na hora do seu dever de TRABALHAR. Fácil exigir, difícil é merecer.

Aposentados

Os aposentados, no entanto, trabalharam arduamente, cumpriram dois deveres, o de trabalhar e o de pagar para que um dia pudesse usufruir a tão esperada aposentadoria. Todos, ou pelo menos a grande maioria deve conhecer a situação atual dos nossos aposentados. Bolsas rolam por aí, incentivo à vagabundagem é o que não falta, mas a quem a vida toda trabalhou não dão um mísero reajuste, e seus salários, muitas vezes único meio de sustento diminui a cada ano.

A indignação é evidente, afinal muito se cobra sobre direito. É direito que não acaba mais, até quem mata tem direito, quem estupra tem direito, mas cadê o chamado dever? “Dever em primeiro lugar” é o que escuto desde minha infância, porém poucos parecem conhecer isso. É injusto, é revoltante. Tudo bem, o bandido tem redução de pena, agora o aposentado tem que brigar com unhas e dentes para um pequeno reajuste. Que país!

Chuvas

É complicada a situação, para enfrentar a natureza precisamos de governo e população. Aqui no sul a coisa está bem complicada e tenho certeza de que lá pra cima não é diferente. Apesar de onde moro não estar sendo atingido por nada de mais sinto pelos que estão. É uma gente que pouco pode fazer, mas o pouco que podem, acho que não estão fazendo. Lugar de lixo é de lixo e não entupindo bueiro.

04 dezembro 2009

30 novembro 2009

Lagartixa..

Andei mais um dia por ai, como se passos fossem dar respostas. Vi muita gente, reparei em cada parede, em cada painel e calçada. Virei o pescoço e descobri o mundo.
Há se tivesse acordado antes daquele sonho individual, solitário e auto-suficiente acontecer. Há se tivesse percebido que somos completos e imperfeitos ao mesmo tempo, que nada se basta sozinho.
As fachadas na cidade, as pixações. Pequenas histórias, pequenas mensagens, um pouco de expressão, um pouco de poesia. A particularidade que abarca um todo, um todo construído de particularidades.
Na vitrine de uma loja havia uma lagartixa, uma dessas pequenas histórias, a historia do pequeno réptil. Os carros passavam, as pessoas passavam, e a lagartixa intacta na vitrine. Será que alguém á viu¿ Se viu não matou, e assim ela vai vivendo na vidraça, anônima no centro da cidade.
Talvez sejamos também anônimos, alheios ao universo, talvez sejamos universos particulares e interdependentes. Escrevo diante da janela, na frente da rua, pessoas passam a todo o momento, carros, motos e bicicletas vem e vão. Talvez eu esteja na vidraça esperando algum inseto.
O mundo acontece nos muros, nos sorrisos, nas placas, no barulho do vento, como fragmentos de uma enciclopédia sem fim. As coisas se dependem para existir, a pessoalidade acontece em meio à universalidade.
Depois de tanto caminhar só pude constatar que estava tudo ali, bem na minha frente, uma conclusão óbvia! Conclusões óbvias, são difíceis de entender e até mesmo de acreditar. Como quando descobriram a lei da gravidade por causa de uma simples maçã.
Um outro ângulo irradia todas as coisas agora, é como deixar de usar uma corrente nos pés ou retirar os óculos escuros em um dia de muito sol, como na história daquele mito, ainda hoje vivemos em cavernas.
Acontece primeiro o susto, os pés que já estavam acostumados com a dor da corrente demoram a se adaptar á liberdade, e a retina que quase não via luz se dilata no momento da retirada dos óculos, você se torna cego logo de uma vez ou talvez um louco que não queira ver o que ô cerca, poucos enxergam depois de ver o sol bater forte, a coragem de vencer uma crença é escassa, difícil de alcançar, melhor para os homens enfrentar uma guerra sem sentido, levar um tiro e morrer por uma ilusão do que retirar o véu que encobre todos os ideais forjados.
Os novos sentidos adquiridos aos poucos enquanto a pupila dilata são difíceis de serem explicados, muito diferentes de uma explicação comum, é tão mais fácil viver em um mundo particular e continuar com os ideais, com as crenças comuns de não precisar de nada alem de si próprio. O que há agora não é um egoísmo triunfante, é uma vontade que compete para o bem de tudo, é uma lógica sensitiva, se é que isso existe, a luz não existe sozinha ela só acontece se conseguir se infiltrar em todos os cantos possíveis.
A importância das pequenas coisas, dos pequenos milagres, a coragem de acreditar em sonhos, a atenção com algo mais alem da ponta do nariz, é a engrenagem que faz continuar, que não se deixa alienar. Se antes era uma parte desconexa de um todo, agora entendo o processo, ou melhor, sinto o processo. É só fazendo parte do processo que se torna o todo, que se constrói algo, observando as janelas e as lagartixas.
São outras as realizações agora, não que aquelas antigas não aconteçam mais, a diferença está na importância de cada elemento, em saber o que buscamos e porque buscamos. Mais do que querer ganhar, a atenção se volta agora para não perder, para não deixar passar os momentos e as pessoas, pois é tudo aquilo que já temos que faz falta, sentir falta do inalcançável é mergulhar em um caminho sem volta em que nada se basta já sendo ultrapassado no momento da chegada.
Não digo para deixar de lutar, de correr atrás dos objetivos, dos sonhos... Afinal esse é o sentido de viver, mas é preciso ficar atento, com calma e compreensão do todo. Tudo acontece naturalmente como em uma sinfonia, um arranjo perfeito de música, quem resolveu fazer o show sozinho caminhou mais rápido que a velocidade necessária e chegou perturbado no fim da linha.

Obs. Sei que perturbado sou eu com esse texto, porem, entretanto, todavia, contudo, serve pra quebrar um pouco o gelo dos textos estritamente lógicos e politicamente corretos e muitas vezes ate mesmo ...Chatos! Áhh, se não entenderem nada a culpa é minha não se preocupem ...Abraços = )

28 novembro 2009

Pedido de desculpas

Primeiramente gostaria de me desculpar com os leitores, especialemente aqueles que tem nos acompanhado mesmo que de forma discreta desde o inicio.
Esse segundo semestre tem sido um pouco complicado para mim e talvez por isso tenha dado menor atençaão a esse espaço do que ele merece, essa semana não consegui postar um texto a tempo.
obrigado pela atenção e gostaria de fazer novamente um convite para quem esteja disposto a escrever textos para o subestação, estamos de braços abertos para receber outras opiniões.

19 novembro 2009

Da janela do meu quarto.

Foto por: Marco H. Strauss

Assistindo a realidade, apenas pela janela, avisto uma utópica tranquilidade, tal que provavelmente só ficará na imaginação. A qualidade de imaginar aquilo que se quer é fantástica, e através de uma vista, diria magnífica – mesmo que ofuscada por prédios – é possível ir além das preocupações corriqueiras.

Resolvi mudar um pouco o tema essa semana, não mudar de forma drástica, afinal mudanças são lentas e é assim mesmo que devem ser. Por esta semana chega de problemas, gostaria de abrir espaço apenas para discutir uma questão, digamos “religiosa”, não para gerar divergências sobre o tema – se bem que essa é nossa tarefa –, mas para abrir horizontes.

Curiosamente abro um livro esta semana e começo a lê-lo, tal livro intitulado “Violetas na Janela”, uma obra ditada pelo espírito Patrícia e psicografado pela médium Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho. Espiritismo. Já havia lido algumas obras sobre o tema, nada de mais, apenas supostas histórias, das quais não recordarei nem a primeira letra do título. Com certeza nenhuma delas deixou tão claro e ao mesmo tempo tão incógnito em minha mente algumas coisas sobre o além – ai chegam as indagações sobre além dos problemas, além da vida.

O livro mostra como seria o “paraíso” através da visão espírita, muito curioso e que sem dúvidas deixa muitos pontos de interrogação. Como falei, mudarei de assunto, mas impossível mudar completamente, sendo assim, nestas leituras sobre um possível “além”, através de citações da obra, recordo-me de algumas crenças que já haviam me feito refletir. Trata-se da nossa tarefa em terra, como, por exemplo, por que algumas pessoas nascem tão ricas e outras tão pobres? Ou, por que uns morrem velhos e outros não saem da sala de parto? Coisas do tipo, perguntas sem respostas ou com respostas não provadas.

Não se trata de discussão sobre essa ou aquela religião, apenas certo conformismo sobre muito do que acontece em terra, não seria aqui o lugar onde pagamos por “crimes” que já cometemos? Uns roubam, outros pagam. Muitos morrem, muitos matam. Tratará a natureza de, no seu devido momento, punir e dar merecimento a cada um de nós? Talvez todos estejam apenas cumprindo tarefas, se sofre, é porque um dia já fez sofrer, se goza é por já ter sofrido de mais, carma chama-se para alguns, não é? São essas crenças que me fazem olhar para a vida e para as pessoas com mais otimismo.

Esse é um texto fora do comum, estranho pela sua forma e pelo seu tema, mas penso que deve haver algum motivo para tantos casos vergonhosos e extremos que citamos semanalmente nesse humilde blog (se não há explicação então a inventamos para tornar as coisas mais compreensíveis).

P.S.: Cito, para esclarecimento que não sigo nenhuma religião, apenas tiro proveito o que de melhor vejo em cada uma. Entre todas elas, o espiritismo é uma das quais mais me agrada, apesar de discordar de muitas coisas e agregar à minha crença muitos outros pensamentos.



13 novembro 2009

Obra de Zé Cesar (Professor da FAV-UFG)
A região da cidade onde moro (Região Norte de Goiânia) costumava ser traquila, frequentemente chamada de "roça", longe, outra "cidade", enfim, mas eu gosto do pouco trânsito, andar a pé, menos poluição do ar, sonora, visual, casas baixas, dava até pra ver uma paisagem legal dos prédios lá longe. Porém isso está mudando, a área parece ser agora a mais nova zona de expansão imobiliária. Os terrenos estão sendo terraplanados, grandes muros erguidos, belos folders publicitários distribuídos, stands de vendas montados. Um grande shopping será construído, o maior da cidade dizem, também está sendo construído um parque com bosques e lago.
Uma maravilha para alguns, a especulação está em alta, juntamente com o valor dos aluguéis. Outros estão exultantes: terão um shopping pertinho, comodidade para o consumo. Porém não pretendo escrever aqui nenhum desabafo já saudoso. As mudanças acontecem, prefiro me ater em como elas se dão e que rumos tomam.
O modelo parque, shopping, prédios e condomínios parece ter boa aceitação em Goiânia. Ao observar, pode-se perceber que outras regiões seguiram um caminho parecido. Claro, o shopping e o parque valorizam os imóveis, atraindo os empreendimentos imobiliários. O que me chama a atenção é como a iniciativa pública se confunde com a iniciativa privada nesse momento. Por que só agora a prefeitura está construindo um parque? Há tempos existem bairros e um número razoável de moradores na região. Se a prioridade fosse mesmo o bem estar da população esse parque já estaria aqui há muitos anos. Um indício de como o Estado muitas vezes prioriza mais os interesses privados ao invés de interesses públicos. Afinal após saturar outras áreas com prédios, as construtoras precisam de um novo local para continuarem a fazer o mesmo e, a fim de aumentar a lucratividade, nada melhor que elementos valorizadores como o parque e o shopping.
E assim, sucessivamente, a cidade cresce, cresce, cresce, até quando?

08 novembro 2009

O preço

Quanto vale uma pessoa
Quantos são seus sonhos
O que ela precisa
Vale tão pouco
Ou vale muito
Se tudo tem seu preço
Há aquelas que não valem nada
Tudo que não tem preço
Não vale nada

A maioria vale alguma coisa
Umas custam caro
Outras roupas e sapatos
Quem não tem seu preço
Sucumbi na exclusão
Morre na desilusão
Na bala de uma emboscada
Mas livre vive no entanto
Experimentando o vento
Nas asas do que não é permitido
Pensamentos
Senhores de si
Os livres são poucos
São alegres ou tristes
O meio do caminho não existe

05 novembro 2009

O R.U de Balzac..

Na obra ilusões perdidas de Balzac, é contada a historia de um poeta que sai do interior da França e vai tentar a vida em paris, de forma que em um momento de sua estada na cidade das luzes o poeta se torna estudante realizando pesquisas em bibliotecas e passando dia inteiro atrás dos livros. Nessa parte da historia o protagonista sobrevive com pouco dinheiro, sendo assim obrigado a adaptar-se a uma vida modesta, é ai que entra o flicouteux na narração, sendo uma espécie de RU (restaurante universitário ) parisiense tendo um papel importante na construção da oposição entre moral romântica e moral moderna tão bem relacionadas por Balzac.
O “r.u parisiense” era freqüentado por estudantes, escritores, poetas, reacionários etc, em sua grande maioria indivíduos que se opunham a ordem vigente, fosse no campo literário, político, musical, das artes plásticas, filosófico ou cientifico. Quem não fazia oposição as ideologias reinantes inseria-se com mais facilidade na sociedade francesa, tendo assim, um maior retorno tanto do ponto de vista financeiro como social, não precisando freqüentar um restaurante simples do tipo flicoteux. A imagem sempre foi tudo, e nessa época não era diferente, antes de qualquer coisa era preciso freqüentar “bons” lugares para ser aceito.
Lucianno chardon é o poeta personagem principal do livro, um iludido com a aristocracia, que almeja desde as primeiras páginas fazer parte da alta sociedade francesa. No seu momento de maior lucidez o poeta escreve um livro e vive modestamente, almoçando e jantando todos os dias no “RU” do século XIX, onde conhece quem ele descobriria ser mais tarde, seu único e verdadeiro amigo em paris.
Esse amigo de Lucianno o apresenta a um grupo de jovens intelectuais ansiosos por se tornarem elementos transformadores da França, que se encontrava em um momento de tensão, pois o país havia experimentado a maior revolução da historia mundial, calcada nos princípios de liberdade, igualdade e fraternidade e, no entanto vivia o momento da restauração, com o retorno do poder do rei e da igreja, a nobreza voltava também, assim como seus privilégios.
Não é a toa que chamo essa parte na qual Lucianno freqüenta o restaurante, de o momento mais lúcido do protagonista, a obra não se chama ilusões perdidas por acaso, o poeta, um verdadeiro interiorano se deslumbra com as dimensões de paris e com o luxo da aristocracia, deixando de lado seus ideais e até mesmo seu caráter em busca de uma vida de fama, sucesso e diversão, o seu momento RU foi sem dúvida o mais coerente e mais fundamentado.
Quando Lucianno se faz lúcido, por meio de seus amigos e da existência regrada que os custos de vida o impõem, ele parece compreender por um momento o funcionamento do estado, o real lugar de cada individuo no mantimento de uma hierarquia social injusta.
Talvez traçar um paralelo entre um restaurante citado em um livro de Balzac, que se passa no período da restauração francesa com um outro restaurante que existe hoje em Goiânia-Go seja um pouco de ousadia, mas o pensamento e a reflexão nascem da comparação e da observação.
Balzac criou personagens tão completos, com elementos psicológicos tão próximos do real que é difícil ler uma de suas obras e não identificar um sentimento ou algum modo de agir, seja em si próprio ou em algum amigo, parente ou conhecido. Se trouxermos o “RU” de Balzac para atualidade, perceberemos que nem tanta coisa mudou, sobretudo quando analisamos os freqüentadores do restaurante e suas aspirações.
No século XIX quem comia no flicouteux era geralmente quem não estava tão preocupado com a imagem e sim com um objetivo maior, uma forma de realização pessoal, uma realização plena que só vem com o esforço individual. Hoje no século XX os clientes desse “Flicoutex” remodelado, buscam em sua grande maioria concluir um curso superior, um projeto de pesquisa, enfim, formas de realização pessoais também alicerçadas na dedicação e no esforço.
Tanto em 1820 como em 2009 percebemos um comportamento semelhante entre os clientes dos restaurantes citados, são pessoas que tem uma noção (mesmo que reduzida em alguns casos) de todo, que conseguem e conseguiram enxergar a dimensão real dos acontecimentos. Essa dimensão que chamo de real é a do entendimento do quanto à sociedade seduz o cidadão a comungar de certos padrões, que na maioria das vezes são prejudiciais a si próprios.
Em outras palavras, o simples hábito de almoçar demonstra o quanto alguém é ou não influenciado, vejamos o caso da maioria dos estudantes, que vivem à custa dos pais e não são ricos: Uma boa parte vai querer almoçar em um lugar mais chique e mais caro para acompanhar um padrão, enquanto um outro grupo mais sóbrio terá noção da sua condição de estudante dependente e assim sendo terá certa parcimônia, afinal de contas não estamos em um país de ricos, e fazer uma imagem à custa de quem trabalha para sustentar seu progresso intelectual não é lá algo muito moral.
O primeiro grupo citado representa aqueles que são iludidos, os que farão de tudo para conseguir andar com o carro do ano, viverão para pagar um custo de vida desproporcional a seus ganhos, exatamente como Lucianno vai fazer no livro, antes é claro de se endividar e ter que fugir voltando de cabeça baixa pra sua cidade natal. O segundo grupo é o dos que são lúcidos, dos que conseguem enxergar longe e que com certeza gozarão da plenitude e do equilíbrio, não se juntando ao coro dos ludibriados.
Claro que o simples habito de almoçar ou não em um restaurante universitário não pode servir de base para classificar tipos comportamentais, até porque acredito que as pessoas não podem ser classificadas como fazemos com simples objetos. Quando falamos de seres humanos a generalização é sempre uma perda irreparável, mas esse simples paralelo entre os dois restaurantes muito me chamou a atenção, é impressionante um livro do século XIX descrever uma sociedade que se parece tanto com a atual em que a imagem ainda é o que há de mais importante, as revoluções parecem não ter sido suficientes para barrar o sangue azul, porém por outro lado, ainda existem os que enxergam mais a frente, muito alem de suas roupas ou do lugar em que almoçam e é perto desses que quero estar sempre.

30 outubro 2009

Mais um problema desse lindo "rincão".

Tudo começa errado. No Brasil, de forma errônea, há o incentivo a natalidade, mesmo que indiretamente. A população pobre tem “pencas” de filhos visando os benefícios que receberão do seu querido e populista governo. São famílias sem estrutura e sem mínimas condições de indicar o caminho certo para a garotada.

Superpopulação, se ainda não chegamos lá, com certeza longe não estamos. Sem sombra de dúvidas temos muito território, mas pouquíssima estrutura. Não é de se estranhar a barbárie que nos deparamos todos os dias, estamos apenas colhendo os frutos de uma sociedade sem condições de se manter.

O futuro da nação

Que nossas crianças são o “futuro” é óbvio, mas não chegam nem perto de ser a salvação. As crianças são simplesmente o reflexo do âmbito que se desenvolvem, algumas apenas crescem, sem desenvolvimento algum. Uns não têm nada e optam pelo pior caminho, outros têm tudo, e ai nem preciso citar a perdição de quem não sabe o valor da conquista.

Falha da sociedade, do governo. Falta de interesse. Crianças burras torna-se-rão uma sociedade burra, sem questionamento, sem dúvidas, sem interesse nem curiosidade, apenas animais mandados, que acatarão tudo que lhes for proposto. Esse sim é um plano que muitos se interessam.

Planejamento

Nossa sociedade – lê-se Brasil – está perdida em meio ao caos. Não temos capacidade de planejar, de organizar. As coisas não funcionam, simplesmente se enrolam e se arrastam até onde é possível. Organização é a base do funcionamento de uma empresa, de uma casa, de uma família e seja qual for o segmento. Organização e planejamento, simples palavras que não são seguidas nem de longe por esse governo miserável que temos. Dá-se esmolas para todos sem a precaução para o dia que o dinheiro acabar, e este é apenas um exemplo dos inúmeros que podem ser citados.

O Brasil é um lugar bom de se viver, mas apenas para a classe de vagabundos que aqui já estão ou para quem já tem uma boa quantia de capital reservado. O “classe-média”, trabalhador, aquele que ainda não alcançou o auge do sucesso, mas ainda o busca aqui não passa de um bastardo ignorado por todos. Danem-se aqueles que não nos dão votos.

24 outubro 2009

Pintura de Magritte - Isso não é uma maçã


Imagine-se no século XVII, vivendo em qualquer região do Brasil, então uma colônia. Seu conhecimento visual se restringe ao mundo imediato, ao que você encherga todos os dias diretamente, poucas são as imagens. Você não consegue nem imaginar como seja a Monalisa, talvez nem saiba da existência desse quadro, não é fácil reproduzir e circular imagens. Se quisesse vê-lo teria que deslocar-se quilômetros e quilômetros até a Europa. Mas como é a Europa? Contam-lhe histórias, porém o máximo que você pode já ter visto é um desenho precário, um mapa, com muita sorte uma pintura.
Hoje, basta digitar Monalisa no Google, mas você provavelmente já a conhece, já a viu em algum momento, se quiser pode ter uma reprodução dela em sua parede. Pode ligar a televisão e assistir os últimos acontecimentos europeus. Pode assistir um documentário sobre algum país africano. Se eu disser Paris, uma imagem forma-se na sua cabeça, mesmo nunca tendo estado lá, uma imagem, quem sabe, nítida e fotográfica. Muito óbvio tudo isso, no entanto impossível tempos atrás.
Quantas vezes já não ouvi: "Ahh!! Esse filme mostra a realidade!" ou diante de uma notícia de jornal na tv: "Essa é a realidade!". Mesmo? Será que as imagens mostram a realidade? Discussão antiga, desde os antigos gregos e mais do que nunca necessária. Afinal grande parte do que chamamos realidade nos chega por inúmeras imagens, através delas conseguimos ter uma idéia geral do mundo, fato inexistente em outras épocas. Até mesmo na política, quem de fato já viu o Lula e conversou com ele? O que temos são imagens. Ou seja, elas estão entre nós e a realidade, mediando essa relação.
Como o quadro de Magritte no ínicio, "Isto não é uma maçã". Não é uma maçã, é tinta sobre uma superfície. Mas também é uma maçã, pois remete a idéia de maçã. Imagens são ambíguas, são e não são o objeto representado. As pessoas na tv não são pessoas de fato, porém são abstrações de formas e cores que remetem às pessoas reais.
Assim, imagens são fonte de conhecimento, como poderia imaginar Paris ou o Lula sem elas. Contudo não dá para esquecer que por trás de cada pincel ou câmera há pessoas com opiniões diversas. O recorte de uma câmera é seletivo, pensar sobre o que é ou não é mostrado faz toda diferença. A realidade de uma imagem é, no máximo, a realidade de quem a produziu ou então a realidade que lhe convem mostrar.

16 outubro 2009

Ta chovendo hamburguer

É, penso que esses norte americanos vão mesmo é morrer pelo estomago, sempre tiveram o “olho maior que a barriga” como diz o ditado popular e mais cedo ou mais tarde vão ter uma baita indigestão.
Não é novidade para ninguém que o american way of life, não é nem de longe sustentável, seja qual for o ponto de vista analisado, biológico, financeiro ou até mesmo no sentido dos americanos mesmo não se agüentarem. O mundo inteiro já não os agüenta, a novidade agora é que o conflito virá de dentro.
Quando falo em conflito, logo vem a idéia de uma guerra, uma briga ou coisa do tipo, mas a questão aqui é outra. Apesar dos problemas internos, em um país marcado pelo preconceito, não serem poucos. O fato é que em poucos anos os norte americanos deverão se tornar um dos povos mais doentes do planeta. Psicologicamente falando já sabemos que não são lá muito bem resolvidos, e agora os filhos dos fast food, aos poucos começam a aparecer e mostrar suas vulnerabilidades .
Em uma sociedade com individualismo reinante não é de se assustar que um aluno entre em uma sala e atire contra colegas pois a necessidade de auto afirmação pregada por essa cultura liberalista ao extremo cria mazelas irreparáveis como formas variadas de dependência do sujeito em relação a algum vicio.
A obesidade, reflexo do consumismo exacerbado, não deixa de ser uma dependência e um problema psicológico. Reflexo da segregação, ela atinge boa parcela dessa população e será o grande problema de saúde pública a ser enfrentado. As pessoas consumiram umas ás outras, exigiram tudo o que foi possível, e nessa briga uns poucos saem ganhando e a maioria perde.
Essa maioria que perde, que não esta diante dos holofotes são os ditos “pobres” do primeiro mundo, que sem diversão, sem motivação e conhecimento, acabam por reproduzir uma forma de vida anunciada pelo comercio, encontrando o prazer na comida e no consumo. Serão os diabéticos de amanha, são os pais das crianças que virão com problemas genéticos, são os cancerígenos que morrerão aos montes, que terão consumido tudo inclusive o próprio organismo, e ai, só ai, quando todas essas doenças se tornarem um grande mal para o estado, as bases do american way serão repensadas.
Vi um desenho com nome sugestivo, “está chovendo hambúrguer”. É engraçado como o culto do prazer pela comida de baixa qualidade e industrializada é enaltecido em produções como essa, mostrando os yankes vivendo por meio de instintos, pela simples vontade de satisfazer desejos.
Não é a toa que esse tipo de filme, incita tais hábitos alimentares, incentivando as indústrias que transformam os alimentos, pois o que é vendido em natura e não passa por uma linha de produção não gera tanto lucro. Não é interessante que o indivíduo faça seu alimento ou o plante, o objetivo é estimular as redes de fast food e supermercados.
O cientista, personagem principal da animação, poderia ter inventado qualquer coisa mas inventou uma máquina de criar hambúrgueres, sorvetes e coisas do tipo, e não pensem que criou para combater a fome, a questão única era fazer brilhar os olhos dos habitantes de uma cidade, afoitos por se empanturrarem de comida até passar mal, deixando de lado a sardinha que era a principal fonte de renda do povoado e passou a ser considerada nojenta.
Claro, a idéia é bem essa mesmo, sardinha é nojento, verdura não tem gosto, quiabo solta baba e toda essa história que já conhecemos bem. Mas eu queria mesmo é saber do que a salsicha é feita de que tipo de carne, ou como o Macdonalds não deixa perder os hambúrgueres. Achar algo nojento é muito mais uma construção do que uma realidade.
Podia passar um dia inteiro analisando esse desenho e falando das suas ideologias que passam despercebidas por nossas mentes atônitas por efeitos especiais, inclusive acredito que consegui perceber tantas coisas, mais pelo roteiro fraco e pelas cenas que não prendem o espectador do que pelos acontecimentos em si. As produções de hollywood que não nos deixam fixos nas poltronas correm o risco de serem criticadas, por deixarem aberto um espaço de reflexão perigoso porque pode tirar alguém da indiferença e incitar posicionamentos.
Como não poderia faltar, um latino americano aparece dizendo que largou medicina em seu país de origem para ir ganhar dinheiro nos EUA, trabalhando como câmera, é engraçado... Eles se matando por causa de um sanduíche e ridículos somos nós, serviçais qualificados ganhando pouco e trabalhando para idiotas. Mas quer saber, no fundo devemos ser um pouco ridículos mesmo, afinal o médico preferiu serviço braçal as servir seu povo na Guatemala.. Eu ainda vejo os filmes e amo coca cola, embora esteja escrevendo uma critica, talvez seja um pouco parecido com o médico.

08 outubro 2009

..aos tolos como eu...

Sobre nosso inspirador vídeo que foi postado semana passada por Gabriela Domiciano. Tal vídeo que somado a algumas outras inspirações me fez refletir. Tanto fingimos saber, mas pouquíssimo, diria quase nada sabemos a respeito. Todo dia nos confrontamos com tempestades de reportagens que jamais queríamos ver, escândalos que preferiríamos esquecer e pessoas as quais não precisariam existir.

São tantas coisas erradas na sociedade, mas a relatividade do errado nos deixa perdidos em meio aos muitos enganos. Todos sabem, mas poucos fazem algo a respeito, e então será que ainda há esperança?

Na TV são mortes, roubos e tudo mais, jornal não passa por diferente, afinal são todos os meios noticiando algo em comum, apenas uma parcela de todo o MAU que nos cerca nesse mundo de loucos. Loucos talvez sejamos nós que perdemos tempo reclamando de tudo que acontece ao nosso redor, enquanto os “certos” relaxam com uma cerveja gelada e assistem a uma partida de futebol, ou prefere uma novela?

INDIGNAÇÃO, palavra certa para descrever meus sentimentos. Não pensemos que o MAU (isso, deve ter destaque quantas vezes se fizer necessário) está apenas em Brasília, nas favelas do RJ ou na puta que o pariu, ele está em todo lugar, nos cerca, nos embriaga, nos destrói, ELE está aqui.

Algum dia algo irá mudar? Já vimos alguma história em quadrinhos, filme ou mesmo a porcaria de novela que todos assistem sem um vilão? Impossível. O herói não existiria sem vilão, é esta a base do enredo de qualquer história infantil ou filme para quem já tenha maioridade. Pois a realidade é diferente. O vilão faz sua parte sim – mata, rouba, tortura, rouba, mata, tortura –, sem ordem, sem vergonha, sem medo. A diferença é que o herói esconde-se ou simplesmente não existe.

O MAU é essencial. Tudo bem, talvez não seja, mas é indispensável e não por opção, é indispensável porque jamais conseguiremos dispensá-los de nossas vidas, mesmo querendo. Seja hoje ou daqui a cem anos, uns roubarão, matarão enquanto outros assistirão e sofrerão. Ah, ainda existem aqueles poucos heróis, que continuam se omitindo, desvalidando todo o poder que têm. Nada vai mudar, o enredo será o mesmo sempre, apenas os personagens mudarão, assim como as novelas “Shakesperianas” que todos sabem o começo, meio e principalmente o fim.

Abraços aos tolos como eu que vivem nessa desgraça.

01 outubro 2009

25 setembro 2009

Honrados recebemos também a carta ao CQC...

Olá pessoal do CQC.


Venho por meio de este apresentar a indignação dos estudantes da Universidade Estadual de Goiás (unidade ESEFFEGO).
O MEC há dois anos a trás informou à nossa universidade de que a quantidade de professores concursado estava inferior a mínima exigida para se considerar uma instituição apta a lecionar como instituição de ensino superior. Fizemos uma greve no ano de 2007 para que nosso reitor (eleito de forma ilegal já que não poderia mais estar na instituição) acatasse nossas reivindicações que eram de: melhorar a estrutura da universidade; efetuar o pagamento dos professores em dia (alguns atrasaram sete meses) e abrir o concurso para que os professores contratados pudessem ser concursados e desta forma executarem seus deveres com tranqüilidade e qualidade (legalmente aparados pelos direitos de professor concursado). O nosso governador nos prometeu estas conquistas e então encerramos a greve.
Infelizmente como sabemos a maioria dos políticos neste país só nos enganam e pensam que somos bobos!
A UEG é usada como palanque político desde sua criação. É uma universidade que todo político cria uma unidade no interior do estado e desta forma usa este ato para anunciar seus feitos políticos e arrecadar votos, o que a população não sabe é que os cursos são deixados de lado e não possuem estrutura física e muito menos financeira para sua existência, ficando assim os alunos jogados ao vento e os políticos bonitinhos ganhando voto da população que desconhece o que está acontecendo por de trás dos bastidores.
Hoje lutamos desesperadamente para alcançarmos a comunidade e mostrarmos o que a instituição que um dia já foi uma das melhores do país e ensinou gerações (da minha família eu sou da terceira geração) está como umas das piores e os próprios vestibulandos e seus pais desconhecem o que está acontecendo.
Após assistir ao programa de vocês percebi o potencial que temos de alcançar o que desejamos e até mesmo conversar diretamente com quem nos engana e tapeia a sociedade.
Este é o apelo de um jovem que estudava em uma instituição particular e que transferiu para uma instituição pública pensando ter realizado o sonho de estudar em uma instituição de respaldo nacional e hoje percebeu que esta, está prestes a acabar por descaso dos nossos governantes.
Estudamos quatro anos e agora estamos prestes a não recebermos nosso diploma!Serão muitos os prejudicados.
A mídia não comparece aos nossos pedidos de ajuda a não ser no dia 25 de setembro de 2009 que decidimos fechar a principal avenida de nossa cidade (Goiânia), ferindo assim os interesses de inúmeras pessoas para que pudéssemos ser ouvidos e percebidos.
Espero que leiam esta carta e entrem em contato conosco, pois hoje os estudantes (futuro do nosso país) estão sendo deixados de lado e quem sabe um dia isto não poderá acontecer com o filho ou parente de um de vocês.
Assisto sempre que posso ao programa de vocês e gosto muito do jeito que vocês estão tratando o humor no Brasil, ajudando inúmeras pessoas e mostrando ao povo brasileiro como devemos lutar pelos nossos direitos.
Parabéns CQC, nós torcemos para que este pedido seja escutado!!
Um grande abraço a todos do programa!
Fica aqui o registro da indignação dos estudantes do Estado de Goiás.

Lucas Rocha Costa (4° período vespertino) UEG –ESEFFEGO Educação Física

17 setembro 2009

Em semana farroupilha no sul, o Brasil mostra seu armamento...


Esta semana me permiti voltar a por em pauta a política no meu texto. Talvez seja apenas esta semana, talvez perdure durante algumas outras, depende de como andará esse velho mundo. Preciso confessar que fica difícil escolher um assunto específico, como gaúcho teria o pedido de impeachment da nossa governadora, os protestos do CPERS entre muitos outros, mas prefiro ressaltar outros assuntos que tenham mais interesse aos nossos queridos leitores, que em sua maioria, acredito eu, não são aqui do sul.

Pois bem, estamos armados. Nem Deus sabe quando estaremos de fato armados, mas pelo menos o senhor de Brasília tomou providências para “engrossar” nosso estoque bélico. Ai, ai, como seria bom se a notícia parasse por ai, seria agradabilíssimo se pudesse apenas falar: nosso presidente quer defender o país. Mas sendo eu, é quase impossível o nome de Lula não vir seguido de algumas críticas.

Entendo como é importante a proteção do país, como é importante que mantenhamos nossa Amazônia segura, nossas terras seguras e agora nosso “pré-sal” seguro. Apesar de sermos um país da paz, não estamos livres de nações interessadas em nossas riquezas, assim como há muito, muitas se interessaram e por falta de defesa, nos levaram tudo que puderam (já não foi de mais?). Tudo é de fácil compreensão, principalmente esta intenção nobre do presidente nos defender, mas será que isso é possível com as nossas últimas aquisições? Primeiro: a França demorará anos para nos entregar os submarinos, algo em torno de 6 anos, e mais de 10 para a entrega do submarino nuclear. Segundo: será que as aquisições feitas pelo presidente são realmente a melhor escolha? Com certeza os países que podem nos ameaçar têm armamento muito mais avançado do que essa “velharia moderna” que compramos. Terceiro: como a decisão da aquisição foi tomada? (essa é uma informação que me falta) será que o presidente apenas escolheu o mais bonitinho? Somos da paz, e acho que deste jeito continuaremos da paz, ou lutaremos como ato de sacrifício, com morte certa. Seria uma briga, que, assim como os índios de Cabral, lutaremos com arco e flecha em punho.

São anos esperando por um armamento xucro, um armamento que de nada nos adiantará. Não podemos entrar na guerra pela metade, se quisermos entrar, precisamos calçar as galochas empunhar as armas e ir à luta com todos nossos recursos. Penso quanto o senhorzinho do Planalto estaria levando na compra deste maquinário bélico.

São coisas sem fundamentos, são atitudes sem perguntas, são enganações sem explicações. E o pré-sal tanto falado, trará frutos para daqui quinze anos quem sabe, onde carros elétricos estarão em alta com certeza. Veremos se o petróleo estará tão em alta o dia em que os frutos estiverem maduros. Provavelmente nossas armas servirão apenas para defendermos nossa água, e esta com certeza teremos que agarrar com tudo, e não serão alguns submarinos enferrujados que nos defenderão de nações sedentas.

Que este fique registrado, que daqui há alguns anos possa ver o quão errado eu estava, pois se não estiver não sei se vou querer ler em quinze ou vinte anos.

**Escrevo tão indignado, pois escutei na rádio que um jornal francês publicou uma reportagem caçoando da velharia que o Brasil comprara. E acredito, apesar de ser leigo no assunto, afinal quando nosso dinheiro é bem gasto neste país?

10 setembro 2009

Boneco do espetaculo "Os Orixás" do teatro Giramundo

Há um tempo já (nem tanto), quando era criança, íamos, eu e antigos amigos, fazer trabalhos escolares na biblioteca municipal da pequena cidade onde morava. Havia um livro lá, diferente, grande, pesado, Ewé o livros das plantas era o nome. O trabalho parava, ficava para depois, feito às pressas. Era um livro, na nossa concepção, de magia. Sim, bilíngue, em português e em alguma desconhecida língua africana, com belos desenhos botânicos (talvez venha daí minha admiração por desenhos botânicos). Como ele foi parar lá? Nem imagino. Ensinava "trabalhos" (no sentido de magias, feitiços, não sei se posso chamar assim) feitos com plantas. Algumas bibliotecárias atemorizadas o escondiam, mas no fim a gente sempre dava um jeito de encontrá-lo novamente. Outras acabavam lendo-o junto conosco. Era incrível e divertido. Muito mais do que os livros de educação sexual direcionados para o público infantil disponíveis lá também. Seria mesmo possível mandar sonhos ou pesadêlos para alguém, ficar invisível, fazer chover? Nunca testamos, até porque muitas plantas citadas não eram fáceis de se encontrar. Mas, para crianças mandadas às aulas de catecismo pelos pais, aquele livro abria uma porta para o novo, desconhecido, uma outra forma de pensar a vida, o mundo e a realidade.

Dia desses, perdida pela internet, cheguei até o blog Candomblé onde esse livro é uma sugestão de leitura. Então descobri ao que se relacionava. E pude ter uma idéia, conhecer melhor, ao menos teoricamente, essa religião. Nunca fui a um terreiro. Quem sabe um dia, se tiver a oportunidade, para ver e sentir de perto. A quem lê fica a sugestão, de também visitar o blog, procurar saber. Não se conformar com opiniões, muitas vezes, pautadas pela ignorância e preconceito.

Porque o primeiro passo para oprimir e escravizar um povo é rebaixar a cultura desse povo, desvalorizar seu pensamento, desautorizar suas interpretações da realidade, considerá-los menor ou pior. Dizer que as religiões de origem africana são "macumba", "coisa do diabo" é ainda eco de um passado triste de escravidão que necessitava desse rebaixamento para se sustentar. Mas essa cultura sobreviveu, influenciou e foi influenciada (o que seria de Picasso sem as máscaras africanas?), está viva até hoje, sendo também cultura brasileira, cultura de todos os outros países que igualmente receberam africanos. Uma religião milenar, como o candomblé, com uma "mitologia" comparável à grega (por que não?), com orixás femininos fortes e que outros orixás não ousariam enfrentar, que não abusa de noções de culpa e pecado, merece respeito, merece muito respeito!

Que tenhamos coragem de não matar na gente a criança que faz, sim, seus julgamentos (é impossível não fazer), porém ainda não de forma taxativa, que ainda não aprendeu a intolerância, que se sente fascinada pela diferença, porque sabe que tem muito a aprender com ela, e não amedrontada. À Africa agradeço pelas encantadoras tardes propiciadas por aquele livro!

03 setembro 2009

Despidos de Razão

Uma multidão reunida, em cada rosto uma expressão diferente embora compartilhem o mesmo sentimento de apreensão. Essa não é uma multidão comum, nem sei se pode ser chamada de massa, pois é bem heterogênea, mas ao mesmo tempo é também uniforme, sobretudo quando a seleção faz um gol... Gol do Brasil! Alegria geral, braços levantados, beijos e abraços, orgulho nacional.

Essa é a história de um país que se entende como nação no futebol e no carnaval. Nossas batalhas são travadas em estádios, nossos heróis ganham medalhas a serviço do governo federal, derramando suor ao invés de sangue. Talvez por isso sejamos conhecidos como povo pacífico, mas povo pacífico não existe, o que existe são povos que ocultam as verdadeiras lutas da sua terra.

Esse país é um lugar dos sonhos, com samba praia e muito sol, é onde as crianças não choram, e as mulheres esperam com a comida na mesa para seus maridos, que no final de semana se reúnem em torno de um objetivo comum: a chamada paixão nacional.

Em 2014 a copa do mundo será realizada aqui no Brasil, nada mais justo, tendo em consideração a nossa imensa contribuição para o futebol internacional e é claro nossa receptividade sem igual.

Mas o que fica para nós depois dos jogos? Até que ponto nossa paixão exagerada é benéfica? Faz sentido gastar de forma desmedida em uma atração, enquanto não temos nem hospitais? Pelo que sei, os estádios não assumiram ainda a função de escolas ou universidades, e é disso que estamos precisando.

O uniforme verde e amarelo, que apertamos contra o peito, esse choro e essa felicidade, toda está fidelidade aos jogos, isso não representa o amor a este país. Pois amor é bem diferente de tudo que vemos por ai, ser brasileiro é amar esse povo, lembrar que somos irmãos, pensar que perdemos a todo o momento, não quando a seleção deixa de ganhar, mas quando reproduzimos uma verdade que á 500 anos não quer mudar, uma verdade de dor e exclusão.

É toda á droga disfarçada de nacionalismo, é o pão e o circo mais uma vez, é uma copa disfarçada de vitória e jogadores disfarçados de heróis. Escrevemos uma historia falsa para esconder nosso atraso e nosso medo, uma historia de paz e união, uma história na melhor das hipóteses machista, afinal de contas esse é um país só de homens campeões, nossas mulheres só aparecem dançando peladas no carnaval. É o que oferecemos para o mundo..

Esse é o país da pelada e das peladas, totalmente nú, despido de razão.

27 agosto 2009

Se for pra proibir, que o faça de forma uniforme...

Trago a todos um assunto muito instigante. Deparo-me com uma reportagem no jornal, indicando na manchete que o “uso da maconha foi liberado para adultos na Argentina”. Foi ai que ressurgiram muitas ideias, questionamentos, dúvidas sobre o tema. A maconha é uma droga assim como tantas outras, e dentre todas as ditas proibidas, talvez a menos nociva. Tanto preconceito caí sobre a tal droga, embora alguns países estão dando liberdade ao consumo, tudo acontecendo de forma gradual, apenas alguns mais corajosos o fazem.

De drogas no mundo estamos cheios, consumidas por diversos meios, conseguidas através de diversas fontes e utilizadas por um grande número de pessoas. São drogas aceitas pela sociedade, ou algumas cheias de preconceito, cada uma diferente, mas todas com o mesmo propósito. Recuso-me a admitir que concorde com a liberação da maconha, mas não posso fingir contentamento vendo o quão ignorante consegue ser o povo. Uso apenas o exemplo da maconha, pois sei que muitas outras drogas ditas mais “pesadas” não se encaixariam neste contexto; então indo ao que interessa, quantas pessoas fumam cigarro, mesmo com tanto conhecimento sobre o mal que a “chupetinha do capeta” causa? Mas o número de magnatas lucrando é grande, logo poucos ousam contestar. O cigarro é um problema para quem fuma, gera custos ao orçamento público encaminhado à saúde, e nós fumantes passivos? Nem vou citar os prejuízos.

O cigarro é apenas um dos muitos exemplos que poderiam ser citados como “drogas legais”. São inúmeros os produtos que hoje encontramos em prateleiras de mercados que são nocivos a saúde comprovadamente. Onde há dinheiro poucos tem a coragem de contestar, acredito que a maconha é algo muito pequeno perto de tanta coisa que merecia muito mais preconceito. Muita marginalização, envolvimento da mídia e falta de vontade de quem tem o poder. Como já disse recuso-me a admitir que seja a favor da liberação da maconha, mas não era de se pensar quanta coisa mais deveria ser proibida? Talvez sejamos muito pequenos comparados ao que está por trás de toda essa “tramóia”. Mais um desabafo que fica registrado...

20 agosto 2009




Pintura de Jenny Saville



A beleza é um peso para as mulheres. Melhor: a busca da beleza, a obrigação da beleza. Falo da beleza como construção social, como padrões a se seguir, sob o risco de se ver excluída ou menosprezada pela sociedade em volta. Certa vez vi um vídeo (agora não me lembro o nome, nem direção, nem nada) em que uma mulher deixava os pelos de seu rosto (sobrancelha e buço) crescerem. E andava pelas ruas, o vídeo mostrava a reação das pessoas a tal fato. Ela também inquiria as pessoas sobre o espanto que lhes causava. Ao fim ela dizia que fazer isso era um grande ato de rebeldia para uma mulher.

Rebeldia que pouquíssimas, raríssimas têm de desafiar um tabu. Porque realmente é um tabu. Por que apenas as mulheres "obrigatóriamente" se depilam em nossa sociedade? (homens também podem, se quiserem, mas ninguém vai olhar torto se não o fizerem) Eu não tenho essa mesma coragem, o peso do olhar de reprovação é muito grande. Mas confesso que me sinto realmente muito boba, reles seguidora de padrões, estúpida comigo mesma diante de certos procedimentos "embelezadores". Tento diminuí-los ao mínimo possível.

Ser mulher, de acordo com essa perspectiva, é um processo de se negar constantemente. Negar o corpo, negar os pelos, negar o rosto, a cor natural dos cabelos, as unhas, o tempo, as rugas. É gastar tempo e dinheiro que poderiam ser aproveitados com outras coisas de fato mais importantes. Passar por TERRÍVEIS (repito terríveis) dores físicas e psicológicas. Viver da neurose de se adequar a todo custo. Sentir insegurança pelo fato de não estar depilada ou com as unhas feitas. E quando se olha no espelho, quem está lá? Você ou uma boneca? Você ou uma máscara? Você ou a tentativa frustrada de alcançar um ideal estético rígido e cruel?

Um desabafo. Porque ás vezes tudo isso cansa, tudo isso satura e é preciso dizer.

13 agosto 2009

Por Gabriel George


A verdade nua e crua da cultura popular nunca estará estampada em panfletos de turismo. Não quero escrever como um funcionário de uma empresa

de viajens, muito menos comprar a simpatia alheia com frases aveludadas. Tapa com luva de pelica é com as novelas da globo.

Quem diz que gosta de viajar sabe, há um odor muito característico em toda esta cultura: odor humano, suor do trabalho.

Descobri que há muito mais entre o pudor nacionalista de um tocantinense e o nosso dicionário, que meu vão emprego com as palavras pode sonhar...

Há gotas engorduradas dos condimentos de uma cansada cozinheira de acarajé. Há lágrimas de uma viúva frustrada, que sem saber

oferece uma cuia de tacacá ao assassino de seu marido sem saber. Há dramas, entre um prato e outro de vatapá, numa praça

de pagode, que eclodem por entre a fumaça dos cigarros de palha, como balões de festas sobre uma roseira. Uma discução

ébria, um estampido e outro, e a pólvora se faz sentir. Num momento destes, o que Pepe Moreno canta, na alegre "Bar do Risca Faca",

parece então apenas uma triste música de fundo no meio da correria. Enfim, nestas calhas de roda há sangue, sorrisos e choros. Cultura não é somente

mofo e poeira sobre uma edição de Fausto ou entre volumes de barsas, é também uma poça de cerveja quente sob a luz amarelada de uma feira clandestina.

É vivência. Saúde Pública, Poder Público, Segurança Pública, carentes da atenção do Senado como um bebê recém nascido carece do leite materno...

e alguém se ofende por que sou realista! Ossos do ofício? Quem sou eu, não? Sou uma carcaça... Por incrível que pareça, sou nacionalista,

embora meu repúdio com a hipocrisia possa espetar quem prefira tudo por baixo dos panos. E eu sei que muitos gostam da realidade escrachada.

Sob o sol, vemos a compleição viril de um corpo sadio, pisando na areia quente das praias de água doce. Sob a lua, há somente um vulto.

A agilidade deste corpo nativo, incólume em violar certas leis, vigentes apenas no papel, impressiona. Tucuruí é uma

cidade jovem, na flor da idade praticamente. Ainda nova, e bonita, somente sua criação faz mostrar sua verdadeira feiura; aquela feiura que

há no caráter de uma jovem mal educada. Quase uma amazona. Uma feiura sublime, uma beleza insólita, esta cidade é um caldeirão de estereótipos colecionados há poucas décadas. Há desde o sulista, enfático na pronúncia do "r", ao moreno indígena nortista; que tem lá suas histórias surreais sobre Tupâ, Caipora e

bôtos bem afeiçoados e de lábia bacana. O calor tórrido dos trópicos é facilmente sentido por suburbanos como eu, branquelos azedos que andam de havaianas, e costumam ser apelidados de gringos. A criatividade alheia é uma benção, quando há no coração da vítima, de um batismo desses, paz cristâ. Pudera! Estes dias,

vendo um hermano tocantinense se indgnar com minha retórica eu soube: o crime não compensa... Que a sorte do mesmo me poupe de mais estresse, assim

como jagunçus poupam suas balas com encomendas bêbadas. Quero deixar algo claro: sim, quero causar polêmica. Porém, longe de mim exagerar ou omitir! Um ponto meu que seja sempre concluirá uma verdade nua e crua, muito embora

possa ela ser desagradável a alguns. A todos, desejo paz profunda.



10 agosto 2009

Surdos: uma cultura diferente da nossa

Por Priscila Macedo

Gosto quando Lulu Santos diz:

“Não existiria som
Se não houvesse o silêncio,
Não haveria luz
Se não fosse a escuridão
A vida é mesmo assim,
Dia e noite, não e sim...

Cada voz que canta o amor não diz
Tudo o que quer dizer,
Tudo o que cala fala
Mais alto ao coração.
Silenciosamente eu te falo com paixão...

A vida é mesmo assim,
Dia e noite, não e sim...

Eu te amo calado,
Como quem ouve uma sinfonia
De silêncios e de luz.
Nós somos medo e desejo,
Somos feitos de silêncio e som,
Tem certas coisas que eu não sei dizer...”

E é isso... tem certas coisas que eu não sei dizer.

Não sabia. Talvez eu as tenha aprendido com tantas experiências que tenho tido ultimamente.

Sabe, é isso.

Á um tempo conheci o mundo dos Surdos. Confesso que ainda conheço, conhecendo estou. Seria? No início Deus disse haja luz, e num instante entendi. Compreendo desde então que usar as palavras não é mais importante e significativo como eu pensava. Os são? Sim. Mas os gestos, um olhar, uma expressão. Ah! São mais significativos que qualquer palavra ou poema drummondiano. Como? O sendo. Crianças surdas. Como alfabetizá-las? Impossível! Cria piamente. Hoje? Tudo é possível ao que crê. Já dizia Paulo aos Filipenses. É. É possível. E crianças surdas com deficiência mental? É possível. E surdos-cegos, MEU DEUS? É possível. Eles são como nós, como uma nação em meio a outra. São diferentes como qualquer estrangeiro. Então? Falta-lhes o nosso amor. A nossa amizade. Como os vemos? Coitados? Que dó. Que isso. São gente, e como gente precisam de mais gente. Como? Existe a LIBRAS! Se comunicam. Não são palhaços. Não são gênios da mímica, “engraçadinhos”. São gente. Professores, instrutores, artistas e mais um monte! Amo essa gente! Eles precisam dia após dia ganhar o mundo, mas conseguem sozinhos? As vezes sim, as vezes não. Quantos telefonemas para parentes distantes, marcar consultas por 0800s... e mais um monte que já não tive que fazer para ajudar amigos, até desconhecidos? A realidade: não estamos preparados pra tantas diferenças. Erramos? Nem tanto. Há culpados? Creio que não. O governo? Para neh. Sei lá. Inclusão? Que conversa pra boi dormir. Quem inventou isso? Um político? ...

Bom, continuando a questão de Lulu...

“Cada voz que canta o amor não diz
Tudo o que quer dizer,
Tudo o que cala fala
Mais alto ao coração.
Silenciosamente eu te falo com paixão...”

Assim, hoje, encontrei alguém que me completa:

“Não existiria som
Se não houvesse o silêncio,
Não haveria luz
Se não fosse a escuridão
A vida é mesmo assim,
Dia e noite, não e sim...”

Temos vivido bem. Nunca o vi como surdo, como alguém faltando algo. Eu é que sempre senti algo faltando, como a faca e o queijo, a luz e a estrela, o incerto e o perfeito, o branco e o preto. Uma eterna antítese que não sendo paralelas, se encontram sempre, quebrando assim qualquer regra de não e sim, e pode e não pode, e que é certo, e “que estranho” e tal e coisa. Somos assim. Diferentes. Iguais! Vamos dar as mãos? Ops, se for assim, um tem que ficar fora da roda: interpretando!

(Façamos um esforço)

=D


06 agosto 2009

IX Encontro de Culturas em São Jorge


Foram 18 dias no IX encontro de culturas da chapada dos veadeiros, calculo em dias porque é o que manda a regra, mas o tempo em que passei no encontro não se pode medir, nem se pode dizer se foi muito ou se foi pouco.

Muito tempo se considerarmos que 18 dias é a metade de um mês, muito tempo se considerarmos que a maioria dos eventos costuma ter uma semana, ainda mais que o encontro exigia uma vivencia integral de suas atrações.

Pouco tempo se pensar que já estou com saudades, muitíssimo pouco se olhar para trás e ver que foram os 18 dias mais proveitosos do ano até agora. Quando sai de Goiânia, me sentia simplesmente Goiano, por mais que soubesse que sou Brasileiro, por mais que conhecesse geografia e já tivesse visto de tudo um pouco na tv ou no jornal. Eu era apenas minha cultura urbana e o jeito urbano de olhar pra tudo que me é diferente.

Durante o encontro meus pelos arrepiaram, vi a parte mais visceral desse país, vi o povo de diferentes regiões se encontrarem para dançar e tocar. Senti a força dos tambores e a felicidade do maracatu, senti as diferenças, e então meus olhos brilhavam, estava sentindo o que é ser Brasileiro, estava sentindo toda aquela felicidade, toda aquela força ao meu redor.

Já não acreditava que a cultura popular pudesse resistir a globalização, me enganei, fiquei boquiaberto, vi que havia algo ali muito maior do que a simples reprodução de crenças e tradição, algo muito mais forte que reunia todas as pessoas em prol de um objetivo comum. Acredito que esse algo foi a razão de me arrepiar, que me fez sentir uma adrenalina sem igual, vontade de dançar e de não ir embora mais.

Fora o maracatu que já citei, houve diversas outras manifestações como um encontro de capoeira angola, oficinas de batuque, folia de reis, o império dos Kalunga e varias outras coisas, que se eu for falar de todas vou correr o risco de esquecer alguma, e acabar fugindo do meu foco, tamanha era a proporção do evento, alem do que, abaixo fica o link para quem quiser saber dos acontecimentos de forma isolada.

Uma encontro de culturas em especial foi a 3 º Aldeia Multiétnica, que aconteceu durante a primeira semana do evento. Oito tribos indígenas se alojaram na pousada da lua que dispõe de uma ampla área verde e espaços para apresentação das danças e cantos indígenas, a vivência entre as diferentes tribos e os homens brancos permitiu um maior conhecimento mutuo e por conseqüência maior respeito também.

A procura de todos em alcançar um bem comum, que é a preservação, tanto das culturas e tradições quanto do meio ambiente é a maior conquista desse encontro, durante os dias na aldeia e na cidade. Eu que já era totalmente a favor das causas indígenas, dos ex quilombos e de todos aqueles que foram e ainda estão sendo forçados a abdicar do que é seu em detrimento da chamada civilização fiquei ainda mais militante, e já pretendo fazer meu tcc em uma tribo.

Isso tudo que o encontro proporcionou e muito mais é o que nosso país tem para mostrar, é o que de mais valioso nós temos, nossa cultura , nosso povo e nossa terra. Vamos dar importância ao que é nosso, vamos levantar a cabeça e dizer que nós temos história, que nós temos nossa fé a nossa força, porque é muito vergonhoso e até humilhante, contar nos livros uma historia de colonizador, sem batuques e sem tambor.


www.encontrodeculturas.com.br

*Foto por Anna Morais

03 agosto 2009

Por Gabriel George

Quando comecei a ouvir aquele axé percebi pra onde fora transportado. Era início de junho, mas aquele cais parecia estar sob um luar de fevereiro. Todo aquele movimento de uma beirada à outra, de quílômetros de mesas da Skol, do bastante iluminado e insalúbre cais de Tucuruí, me transportara pra essas atmosferas fantasmas do nordeste. Naquele caos carnavalesco, não sei se estava no Hades ou num Elísio, mas estava divertido. Dividindo o porto há um simpático e esguio farol de alvenaria, rodeado de postes e uma ponte, sob a qual fluem as águas do sistema de saneamento, talvez não tão saneadas assim, para o rio. Perambulando, achei a mesa de um antigo amigo de infância daqui e me sentei, olhei pras águas negras do gigante Tocantins, e pensei: "Aquele povo alí, tomando banho... É como se visse gurus no Ganges, dividindo a água com barquinhos de merda". Desde que esta cidade surgiu, dos restos humanos e pétreos da segunda maior Usina HidrElétrica, mal infraestruturada e marginalizada do poder público, água é o que não falta pra todo cidadão, do mendigo ao grande latifundiário. Vendo o fluxo de água constante sob a ponte à distância, e aqueles cubos de gelo, talvez não muito limpos, no meu copo de whisk, lembrei que sobre a água desta cidade não há imposto algum. Que o diga a simpática tia da caixa de gelo; alí havia peso pra me dar dor nas costas por meses. A caixa era enorme e a larga tampa levantava e abaixava frenética, liberando os espolios de Baco. De fato, não há boleto fiscal pra água; não pagamos talvez por morarmos do lado de uma enorme represa. Pelos deuses! Não vou ficar citando o desperdício de água, tão banal nesta cidade, não sou do green peace. Odeio golfinhos. Também não citaria o conluio entre o governo paraense e a UHE, que desfavorece Tucuruí elitizando a vila adjacente à Usina... Onde eu estava? O brilho daquela noite! Amazônica e úmida. Meninas dançando ao rítmo dos orixás rodeavam nossa mesa, todas bronzeadas pelo sol dos trópicos, animadas pelo som dos atabaques. Nesta noite percebi como as divindades africanas permeiam as letras dos axés. Ouvindo os nomes de Oxossi, Obá e Iemanjá, citados nas beiras das matas e praias, senti, como nunca, o caos. A amplitude que vi, de relance, naquele sincretismo religioso e cultural, alí presente; analogias com os panteões gregos e latinos de deuses humanizados; de dramas humanos, em leitos divinos de pura mácula e desejo; imaginando tudo aquilo como uma releitura determinista de Roma eu... Precisei dar um bom gole do velho Escot e pedir um cigarro pra um transeunte. Quem fuma sabe, sempre haverão chatolinos pedindo um pito ou um picado. Mais pessoas chegavam, e a certa altura a vida pululava como num dia quente de feira, só que sob um céu negro de lua cheia. Entre carrinhos de carne no espeto e pipoca, caixas de cerveja, carros de som e dançarinas de carimbó, soube, apesar de tudo, que eu adoro ser brasileiro.

31 julho 2009

Mudando de assunto.

Não é ironia. Decidi mudar mesmo.

Quantos livros já leu este ano? Quantas vezes abriu o jornal esta semana? Pode citar alguma revista que costuma te entreter?

Pois bem, todos já devem saber sobre o que vou falar. Se não sabem ai vai: a leitura. Ler é saber já diziam alguns, a leitura é algo surpreendente. Abre o pensamento, acalma os ânimos, nos trás conhecimento e sempre é uma boa forma de passar as horas.

Ler não é “comer” livros, não é gastar fortunas com obras da “moda” e principalmente ler não é e não pode ser uma obrigação. Os principais motivos da leitura são a cultura e conhecimento que obtemos. Com certeza é isso que para muitos falta.

O Brasil não é muito conhecido pelo hábito de leitura, maioria da sua população não adquiriu esse costume, e embora muitos fazem de tudo para educar nossas crianças para mudar o futuro, ainda estamos longe de chegar ao ideal.

Poder discutir impondo nossas opiniões, ter opiniões, fazer valer aquilo que pensamos filtrar as “impurezas” das informações, são coisas que a leitura nos proporciona. Incentivar a leitura deve ser prioridade no ensino e talvez possamos esperar por um futuro melhor.

Viva a leitura, viva aos leitores, viva aos escritores e viva aos blogueiros que tentam a todo custo trazer algo que alimente a fome do saber.

Uma semana ao menos sem dar espaço a quem não o merece no blog. Chega dessa brincadeira com nosso país.

24 julho 2009

Redução da Jornada de Trabalho

Em 30 de junho de 2009 foi aprovada por uma comissão especial da Câmara Federal a PEC (proposta de emenda constitucional) 231/95, que traz a proposta de redução da carga horária máxima de trabalho semanal de 44 para 40 horas semanais (sem redução salarial) e aumento do valor da hora extra de 50% para, no mínimo, 75% do valor da hora normal. Essa foi apenas uma prévia, pois deverá passar ainda pelo plenário da Câmara (previsto para agosto), depois pelo Senado, e finalmente ser sancionada pelo presidente.
Essa já é uma proposta antiga, desde 1995, mas que só agora será de fato votada. Claro que esse ocorrido já provocou o pronunciamento e posicionamento dos setores da sociedade: maioria dos trabalhadores a favor e empresários e patrões contra. Veremos o resultado, talvez ainda daqui há um bom tempo, pois a tramitação é lenta. A pressão para que não seja aprovada será significativa, uma vez que a influência dos empregadores é grande.
Após apresentar o assunto, emito minha opinião, meu posicionamento: a favor. E explico-me. Temos que pensar em qual tipo de desenvolvimento queremos. Poderíamos estar indo na direção contrária, devastando direitos trabalhistas, como bem manda a cartilha neoliberal, desprotegendo as pessoas em favor do aumento indiscriminado dos lucros, como uma Índia ou China. Acredito que em primeiro lugar deve-se levar em conta o bem-estar das pessoas, muito antes de pensar em simplesmente atrair o capital internacional. Desenvolvimento tem que ser desenvolvimento com benefícios para todos, se é possível trabalhar menos e com isso ainda gerar novos empregos, por que não?
Porque diminuirá, sim, a margem de lucro de quem emprega, pois será preciso contratar novos funcionários, e não poderá reduzir os salários. Mas é justo. Quem cria o lucro é também quem trabalha, e é preciso melhorar a distribuição dos ganhos.
Porém o discurso que circula, principalmente na grande mídia, é justamente o contrário. Cito como exemplo um vendedor assalariado que, numa entrevista para um jornal televisivo, dizia ser um absurdo a redução da jornada, dando a entender que o Brasil não podia ser um país de preguiçosos, já com tantos feriados e agora mais essa. Pergunto-me: como alguém pode repudiar algo que poderia beneficiá-lo? O que faz com que ele assuma esse tipo de discurso que vai justamente contra ele?

De acordo com tal forma de pensar, feriados, redução da jornada de trabalho é preguiça. Na minha forma de pensar é qualidade de vida. Porque a vida não pode se resumir apenas a trabalho, lucros, índices estatísticos e crescimento econômico.

Saiba mais sobre a PEC 231/95
http://www2.camara.gov.br/homeagencia/materias.html?pk=129607

Acompanhe a tramitação
http://www.camara.gov.br/sileg/Prop_Detalhe.asp?id=14582