27 fevereiro 2010

Haiti e tudo mais

Pois bem, nada melhor que recomeçar com as críticas mais prazerosas de se escrever. Não que goste que o país esteja onde – e como – está, mas é a vida. Recentemente nosso presidente fez um “tour” por alguns países aos quais dificilmente terão algo a nos oferecer. O Haiti, como de praxe, após o que aconteceu por lá, foi um dos destinos – entre outros, como Cuba, por exemplo – do nosso queridíssimo Lula. Dificilmente achamos um governo tão amistoso e solidário como o nosso atual; isso não seria de todo mal se o mesmo zelo que demonstra lá fora fosse praticado aqui.

O Brasil está dando a cara à tapa acolhendo os “fracos”, parece ser muito nobre, mas estamos “enfrentando” os “fortes”. Não falo de “puxa-saquismo” ou algo do gênero, porém há de se ter aliados que possam suprir aquilo que nos falta. Lula fala em nome do Haiti, pedindo que o FMI desculpe as dívidas que o país tem e ainda ajudando o mesmo com 100 milhões de dólares. O marketing internacional, com certeza o presidente está fazendo bem; afinal temos nós 100 milhões de dólares “sobrando” para tal ato de “caridade”?

Leio outro dia na coluna de algum jornalista por ai uma observação muito pertinente: se o dinheiro do pouso de Lula no Haiti fosse direcionado às pessoas atingidas pela catástrofe com certeza surtiria melhor efeito. Assim como sempre o dinheiro é mal gasto, utilizado para promover nosso presidente, e jamais levando em conta quem precisa ser levado. O pior de tudo isso é a impotência mesmo vendo o que acontece com nosso dinheiro. Fatalidade. Banalidade.

15 fevereiro 2010

De volta !

Há muitos dias que ninguém posta nada aqui, há muito tempo estamos postando poemas e vídeos, não que poemas e vídeos não sejam interessantes, alias de forma alguma queria ser interpretado desta forma, mas um fato não pode ser negado, há tempos que deixamos tudo um pouco de lado.

Fazer um texto demanda paciência e coragem, paciência para amarrar as palavras e tentar falar de algo interessante, coragem para expor algum pensamento, qualidade tão rara atualmente já que todos preferem apenas copiar algo pronto. Afinal de contas assim não se corre o risco de ser chamado de louco ou qualquer outra coisa, ou até mesmo de rirem dos seus erros de português.

Conviver com a critica e com idéias diferentes não é fácil e às vezes cansa e cansa muito! Viver uma vida tranqüila afogada em um pouco de ignorância, vendo tudo passar e não falar nada é com certeza maravilhoso. Um professor á muito tempo atrás citou um poeta inglês dizendo que ignorância é o melhor, esquecer de tudo e continuar seria a chave para felicidade, mas eu continuo sempre sorrindo haja o que houver, mesmo não me esquecendo de tudo, por isso escrevo.

Mas mesmo feliz em uma estratégia de fechar os olhos e se conformar, muitas coisas não fazem minha cabeça, um estilo de vida sem muito sentido como a musica do Zeca Baleiro : “Um filho e um cachorro”, um carro novo e comer fora no final de semana não é o que mais me agrada, sou desses que vê a rotina como um completo suicídio.

Acho extremamente chato e até fico um pouco indignado quando em outra cidade me identificam logo como um goiano.. Ok, desculpem, tenho amor a minha terra, não sou assim tão bastardo, mas a identidade do goiano ai fora não é das melhores, nos conhecem pelas nossas caminhonetes e estilo de vida burguês de classe média. Algo pouco louvável em minha concepção, muito depreciativo, pois como já escrevi aqui uma vez, classe média é a classe burra por excelência. Prefiro me colocar como pobre alta, pois tudo que é médio é medíocre, não sendo uma coisa nem outra, alem do que, nesse país os pobres são muito mais divertidos e generosos. Tem famílias enormes e festas onde se bebe a vontade sem ninguém ficar reparando pra encher o saco depois, sem falar que não ter nome é perfeito, pois assim não há o risco dele ser manchado com uma foto em qualquer coluna social ridícula.

Espero algo mais de tudo, sou um perfeito otimista e amo enfiar o dedo nas feridas de quem só sabe machucar, existe toda uma lógica dominante para que o sujeito não tenha consciência de classe, e isso acreditem se quiserem não é teoria da conspiração, logo que alguém adquiri algum poder, seja ele financeiro ou não, é inserido em outro grupo social, deixando para trás todas as suas revoltas. A frase dominante é “agora você pode” ou “mostre onde você chegou” e poder mostrar é abandonar, se esquecer de tudo, da sua escola publica e do ônibus e até mesmo das diversões que essas coisas trazem ( acreditem se quiser ) não há nada como crescer brincando nas ruas dos bairros de Goiânia.

Por isso tento ressuscitar este blog, mesmo que sem leitores ( acredito que perdemos os poucos que tínhamos) não esqueço do meu lugar e uma vida ignorante me irrita, tentam me levar á bons restaurantes e usar boas roupas, tudo bem, acho ótimo, mas sei que nunca vou fazer parte disso, nunca darei a devida importância que todos dão, gosto é do gueto, da confusão, e não sei diferenciar taças e talheres que nunca vi, enfim ser fino. Tenho um sangue ralo que nem de longe é azul, e isso me faz mover, me divirto muito, adoro ter á coragem que falta a todos os outros, tementes do julgamentos de qualquer estranho que se sente na mesa ao lado em um restaurante.

Enrolei muito só pra dizer que voltei, com meu queismo e outras repetições, para justificar também o tempo sem escrever, não eu não cedi a demência daqueles que só abaixam a cabeça e reclamam pelos cantos, estava fora, mas foi por um bom motivo, passei no vestibular!! Vou fazer direito, quero ser promotor do MP para me divertir ainda mais, porem ainda demora um pouco e enquanto isso escrevo e tento ajudar aqueles que posso. Ah... tirei 38 em redação, como pode, um quase analfabeto tirar 38 ? Mas esse blog ajudou muito e algum corretor louco deve ter se identificado comigo, prometo fazer de tudo para postar o máximo de textos, algumas vezes o tempo vai apertar e será preciso um poema ou vídeo, mas agora é a exceção e não a regra.

14 janeiro 2010

Acho que nem sou daqui ..

Algumas vezes eu penso
Que não faço parte disso
Algumas vezes eu vejo
Caírem grandes promessas
Que não fiz

É difícil acreditar
Que não há nada além
Que se está sozinho
Mas não há lugar para ficar
É um outro caminho

E não há nada á sentir
Esperando apenas
Qualquer coisa
Que faça acreditar

Vendo uma cidade
Escondida em becos
Algo diferente acontece
E a realidade vive
Entre grandes aspirações
Nada que eu queira
Ou siga

Algo controla
Pensamentos estranhos
Que se ocultam
Em desesperada harmonia
Gritos baixos
Não mostram descontentamento
E seguem em objetivos
Que não são seus

Algumas vezes eu penso
Que não faço parte disso
Algumas vezes eu vejo
Que nem sou daqui
Mas é por muito pouco tempo
Pra que a ordem do momento
Não se altere
Espalhando então
Verdades em um ventilador

25 dezembro 2009

Um sonho

Escrevo para não esquecer:
O ônibus parou, por algum motivo não esclarecido a estrada estava impedida. Sem tempo para dúvidas, peguei minha mochila e fui a pé. Não se espante, andar a pé é nosso meio de transporte mais natural e óbvio, além disso, era apenas um sonho.
Eu sabia o caminho, as rotas serpenteantes e úmidas eram velhas conhecidas. Chovia sem tréguas, encharcando-me toda e meus pertences, porém isso parecia não importar. A chuva era parte intrínseca daquele lugar, um alívio, água matando a sede, conforto, só confirmava o quanto era ali mesmo que eu estava.
Seguindo, pequenas cidades iam aparecendo, lúdicas como brinquedos, surgindo e ficando para trás. Meu trajeto cruzava por algumas. A chuva ia cedendo. Havia igrejas, belas igrejas em que entrei. Os interiores de louça lisa e brilhante faziam-me sentir dentro de uma bonita xícara de chá. Ao invés de cruz, presépios, santos ou anjos, diversas representações de pessoas sorridentes brotavam do chão, tais quais estalagmites de uma caverna, uma celebração de felicidade.
A chuva passou e as cores tomaram a paisagem. Cores próprias do mundo onírico, extremamente saturadas, vivas. O azul do céu e o amarelo do sol se misturavam nas superfícies redondas das montanhas, uma colcha macia de retalhos verdes desarrumada gostosamente sobre a cama. Encontrava pessoas que me acenavam de forma calorosa e amigável. Era tudo tão simples, caminhar, ir em frente. Fluía como música, cada nota em seu lugar, melodia de gaita e violão.
Despertei com ela ainda tocando e nunca desejei tanto entender de música para não deixá-la prisioneira em meu sonho. Soou pelo resto do dia e está aqui comigo agora. A esperança é que essas palavras possam ajudar a adivinhar um pouco da alegria boba que ela me trouxe.

Feliz Natal para todos!!! Que essa melodia invada o dia de hoje e todos os outros dias que se seguem, fazendo mais alegre e colorido o caminho diário de cada um!

12 dezembro 2009

Direitos e deveres

Muito se fala sobre igualdade, é igualdade pra lá, igualdade pra cá. Igualdade de direitos. Negros, mulheres, deficientes, “pobres”, gays, é infindável o número de grupos buscando tal “liberdade”, seja ela para que for.

Concordo que todos merecem oportunidades iguais, tratamento se não igual, semelhante e jamais perder liberdade por algum fator genético ou uma escolha “diferente”. Então, muito se fala sobre igualdade do direito, mas pouco ouço sobre igualdade do dever.

Firmo-me, primeiramente, num exemplo muito claro que são os tais “bolsistas” (bolsa família e afins). Enchem a boca para exigir uma ajuda mensal, afinal precisam e os convêm como direito, mas “coçam saco” na hora do seu dever de TRABALHAR. Fácil exigir, difícil é merecer.

Aposentados

Os aposentados, no entanto, trabalharam arduamente, cumpriram dois deveres, o de trabalhar e o de pagar para que um dia pudesse usufruir a tão esperada aposentadoria. Todos, ou pelo menos a grande maioria deve conhecer a situação atual dos nossos aposentados. Bolsas rolam por aí, incentivo à vagabundagem é o que não falta, mas a quem a vida toda trabalhou não dão um mísero reajuste, e seus salários, muitas vezes único meio de sustento diminui a cada ano.

A indignação é evidente, afinal muito se cobra sobre direito. É direito que não acaba mais, até quem mata tem direito, quem estupra tem direito, mas cadê o chamado dever? “Dever em primeiro lugar” é o que escuto desde minha infância, porém poucos parecem conhecer isso. É injusto, é revoltante. Tudo bem, o bandido tem redução de pena, agora o aposentado tem que brigar com unhas e dentes para um pequeno reajuste. Que país!

Chuvas

É complicada a situação, para enfrentar a natureza precisamos de governo e população. Aqui no sul a coisa está bem complicada e tenho certeza de que lá pra cima não é diferente. Apesar de onde moro não estar sendo atingido por nada de mais sinto pelos que estão. É uma gente que pouco pode fazer, mas o pouco que podem, acho que não estão fazendo. Lugar de lixo é de lixo e não entupindo bueiro.

04 dezembro 2009