24 julho 2009

Redução da Jornada de Trabalho

Em 30 de junho de 2009 foi aprovada por uma comissão especial da Câmara Federal a PEC (proposta de emenda constitucional) 231/95, que traz a proposta de redução da carga horária máxima de trabalho semanal de 44 para 40 horas semanais (sem redução salarial) e aumento do valor da hora extra de 50% para, no mínimo, 75% do valor da hora normal. Essa foi apenas uma prévia, pois deverá passar ainda pelo plenário da Câmara (previsto para agosto), depois pelo Senado, e finalmente ser sancionada pelo presidente.
Essa já é uma proposta antiga, desde 1995, mas que só agora será de fato votada. Claro que esse ocorrido já provocou o pronunciamento e posicionamento dos setores da sociedade: maioria dos trabalhadores a favor e empresários e patrões contra. Veremos o resultado, talvez ainda daqui há um bom tempo, pois a tramitação é lenta. A pressão para que não seja aprovada será significativa, uma vez que a influência dos empregadores é grande.
Após apresentar o assunto, emito minha opinião, meu posicionamento: a favor. E explico-me. Temos que pensar em qual tipo de desenvolvimento queremos. Poderíamos estar indo na direção contrária, devastando direitos trabalhistas, como bem manda a cartilha neoliberal, desprotegendo as pessoas em favor do aumento indiscriminado dos lucros, como uma Índia ou China. Acredito que em primeiro lugar deve-se levar em conta o bem-estar das pessoas, muito antes de pensar em simplesmente atrair o capital internacional. Desenvolvimento tem que ser desenvolvimento com benefícios para todos, se é possível trabalhar menos e com isso ainda gerar novos empregos, por que não?
Porque diminuirá, sim, a margem de lucro de quem emprega, pois será preciso contratar novos funcionários, e não poderá reduzir os salários. Mas é justo. Quem cria o lucro é também quem trabalha, e é preciso melhorar a distribuição dos ganhos.
Porém o discurso que circula, principalmente na grande mídia, é justamente o contrário. Cito como exemplo um vendedor assalariado que, numa entrevista para um jornal televisivo, dizia ser um absurdo a redução da jornada, dando a entender que o Brasil não podia ser um país de preguiçosos, já com tantos feriados e agora mais essa. Pergunto-me: como alguém pode repudiar algo que poderia beneficiá-lo? O que faz com que ele assuma esse tipo de discurso que vai justamente contra ele?

De acordo com tal forma de pensar, feriados, redução da jornada de trabalho é preguiça. Na minha forma de pensar é qualidade de vida. Porque a vida não pode se resumir apenas a trabalho, lucros, índices estatísticos e crescimento econômico.

Saiba mais sobre a PEC 231/95
http://www2.camara.gov.br/homeagencia/materias.html?pk=129607

Acompanhe a tramitação
http://www.camara.gov.br/sileg/Prop_Detalhe.asp?id=14582


20 julho 2009

Irmãos na Arte,

Não posso deixar de iniciar esta agradecendo a oportunidade muito gostosa de participar disto aqui. Esta guilda, este covil, ou toca. Chamem, do que suas essências desejarem, um lugar que lhes agrada e, se não se ofenderem, eu chamaria isto aqui de bar, não fosse meu bom senso gente fina dizendo que não seria muito educado. Meu bom senso beato e minha essência etílica são o antagonismo de Esaú e Jacó, Caim e Abel... Zé Colmeia, Catatau. Pessoal, pouco os conheço, embora tenha tido muitas oportunidades para tal, lá na FAV, as gastei sendo inconsequente no bosque e na pamonharia, e o preço cármico é a estadia conformada nesta cidadezinha úmida do Pará, Tucuruí. Gostaria de escrever crônicas sobre o regionalismo paraense e coisas do gênero e, se gostarem da idéia, prometo boas risadas e um pouco de filosofia "Kafkageste". Prometo que nunca conspurcaria este web-recinto com obsenidades explícitas. Usaria metáforas! Embora ainda tenha pudores o suficiente para corar, dentro de um escritório de contabilidade, com 13 secretárias... Querem saber o que é cheiro bom? Ops, bom senso, Deus te abençoe... Contudo! Contudo, se esta minha proposta não condizer com a idéia do blog, por favor, me digam, que eu tentarei dançar no rítimo. E minha ausência, me perdoem. Demorei muito a responder por que dei uma passada aí em Goiânia, de uma semana, durante a qual estive muito bêbado pra ser um usuário da internet. Bem, meus queridos, sem mais delongas, e espero não ter causado uma impressão tão ruim, deixo aqui palavras tão sinceras quanto, por incrível que possa parecer, comedidas. Se fizesse o mesmo no meu currículo moraria debaixo da ponte, ou faria um chefe maníaco-depresseivo rir, depois de meses no prozac.

Atenciosa e esperançosamente, Gabriel George

PS:"Falar é o modo mais simples de nos tornarmos desconhecidos. E esse modo imoral e hipócrita de falar a que se chama escrever, mais completamente nos vela aos outros, e àquela espécie de outros a que nossa inconsciência chama nós-próprios.(...)" Fernando Pessoa

16 julho 2009

São tantas informações...

Não poderia falar de outro assunto se não a gripe A. Aliás, poderia sim. Sarney seria um assunto que está em pauta no momento, mas que o amigo Ricardo já comentara semana passada, então prefiro me poupar (e lhes poupar) de tanta tristeza.

Alguns meses para cá vemos uma nova gripe se espalhando pelo mundo de forma epidêmica, pandemia denomina-se. A mídia exalta a mesma como algo catastrófico – lê-se mídia brasileira – e não quero que pensem que não me preocupo, pois ao contrário é sim preocupante, mas não da maneira que estão expondo.

Todos os anos inúmeras pessoas espalhadas pelo mundo enfrentam aqueles chatos sintomas da gripe “comum”, aquela que conhecemos desde pequenos, que para muitos pode ser evitada com as receitinhas da vovó. Pois bem, novidade sempre gera pânico, a falta de informação aumenta esse pânico ainda mais, e nem quero falar da informação equivocada.

Para os mais leigos, melhor, diria apenas: para os desinformados, a nova gripe ou gripe suína ou até mesmo – agora com um novo nome para não “atacar” os pobres dos porcos que nada haver tem com o assunto – a Gripe A é algo aterrorizante que está se espalhando e fazendo centenas de vítimas mundo a fora. Informação por parte correta, mas o que muitos não sabem é que da mesma forma a nossa gripe “corriqueira”, velha conhecida, mata muitas (prefiro usar “muitas”, pois não tenho os dados) pessoas. Uma gripe sem os cuidados certos pode se transformar em epidemia e ser ainda mais nociva para crianças e idosos, cujo sistema imunológico é mais frágil.

Não sou doutor, não tenho a mínima vontade de ser e nem invejo quem o é, mas a informação que trago é apenas o que ouço e leio diariamente. Qualquer infectologista fala que este alarde é a maior besteira, precisamos nos cuidar, mas não deixar de viver por algo que com certeza é menos nocivo que outros vírus que nos tomam conta, principalmente no inverno.

Talvez esse seja um ponto positivo para o Sarney e sua turma, afinal toda a safadeza foi ofuscada por uma doença que nem precisaria de tanta atenção, mas quem faz a notícia é a mídia e nem todos são espertos o suficiente para filtrar e reconhecer o que é certo e o que é errado. Informação é informação, tudo pode ser mentira até que se comprove o contrário, até este texto pode ser uma bobagem, mas com certeza os leitores saberão filtrar tudo muito bem, pois há grande diferença dos amigos que aqui passam e daqueles que veem noticiário apenas porque esperam a “novelinha das oito”.

09 julho 2009

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03 julho 2009

“O povo não esquece Sarney é PDS”

“O povo não esquece Sarney é PDS” Essa famosa frase da época em que Sarney foi presidente, parece que nunca se tornou verdade. Já nesse tempo se criticava Sarney, o ex-aliado de muitos daqueles que figuravam no regime militar, o primeiro presidente depois da ditadura era do PDS, o partido dos ex-integrantes da ARENA.

Hoje Sarney está no PMDB que foi formado pelos integrantes do MDB, a antiga oposição à ARENA. Parece que filiação ideológica não é o forte desse senador, que caminhou por onde o vento soprava e figura agora entre os principais representantes de um partido ao qual era oposição.

Na atualidade Sarney é senador e esta no meio de um escândalo de corrupção, é o presidente do senado. Se não fosse a historia ninguém diria que algum dia Sarney não fez parte do PMDB, não só faz parte atualmente como é um dos principais de seus representantes.

Lula se esqueceu do PDS, defende o presidente do senado, defende o coronel do Maranhão. Rivais que governam juntos, isso é a política brasileira que muito se assemelha ao futebol, no sentido dos jogadores, que não se importam com o time ou com o técnico, ou mesmo com os colegas de equipe. O importante é fazer de tudo para continuar jogando. Só que há uma pequena diferença, os jogadores trocam de time pelo talento ou pela falta dele, recebem para dar o melhor em campo e representar todo um time. Já os políticos pouco se importam com o “time” que estão representando, Prestes não apoiou Vargas depois que este mandou sua mulher para ser executada na Alemanha? É a política da governabilidade, faz-se de tudo pela governabilidade.

Orgulho, ódio, raiva, rancor isso parece não existir no governo. Homens que não tem sentimentos, que foram torturados trabalham hoje do lado dos que torturavam. Aqueles que traem a si mesmos, traem qualquer um. Essa é a moral e a memória Brasileira, ambas são curtas e optam pela “governabilidade” ou seja o poder a qualquer custo!

Vida longa ao coronel do Maranhão e ao torneiro mecânico que virou presidente, o homem que sentiu a pobreza nordestina na pele, protege o coronel!

25 junho 2009

São os 34!

Ai vai um texto redigido por mim há algum tempinho...espero que gostem.

34 %, pois é este o valor dos impostos sobre os medicamentos. Para aquisição do carro próprio pagamos 41 % de impostos, valor altíssimo para o retorno que temos. Não me importaria de pagar imposto se recebesse meu dinheiro por meio de serviços do governo. O que acontece com estes 34 por cento de impostos que pagamos sobre os remédios? É meio óbvio e não precisaria ser dito que gostaria de receber estes tributos na forma de atendimento médico, um plano que me dê tranquilidade e saber que não me preciso me preocupar, pois se adoecer o governo cuidará de mim, nestas condições tudo bem, não teria coragem de reclamar por impostos menores.

Mas então pagamos tributos altíssimos e não vemos retorno. Nosso dinheiro se perde, ou melhor, se transforma, assim como já dizia nosso caro amigo Antoine Lavoisier ["Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma."], amigo seria exagero, tudo bem. É uma transformação incrível, sai de nossos bolsos e vira jatinhos de luxo, viagens ao exterior, sustento de madames desocupadas e isto tudo de baixo de nosso nariz. Mas o único sentimento que nos domina é a raiva que antecede uma impotência total, pode ser impotência por falta de vontade ou por falta de capacidade, tanto faz, sobretudo é uma impotência que me incomoda e pouca, ou nenhuma ideia eu tenho sobre como reagir.

Continuamos pagando tributos, vendo os escândalos, nossos políticos dizendo que pouco se importam com a opinião pública e o dinheiro que por mérito nos pertence se esvaindo. É um assunto complicado, uma quadrilha enriquecendo com o “crime organizado”, este sim é o CRIME e muito bem organizado.

Contudo continuamos trabalhando e seguindo nossa utopia, alguns ignorando tudo, outros escrevendo besteiras como este texto achando que deste modo o sentimento de culpa passará e muitos outros, estes os espertos, se juntam a toda essa roubalheira, seja direta ou indiretamente. Espertos que de algum modo ganham, votando por troca de uma cesta básica ou mesmo omitindo crimes absurdos. Mas eu prefiro continuar do meu jeito, sendo burro e trouxa, mas politicamente correto (não que seja mesmo, mas pode ser que alguém pense isso), e quem sabe um em um longínquo tempo encontro muitos outros que nem eu, deste modo a minha revolta servirá para alguma coisa e a última risada será a melhor.

E hoje a gasolina está barata, em poucos lugares, mas estamos livres de impostos por um dia, em alguns lugares, mas fico feliz por aqueles que podem gozar desse feito e se tudo correr bem eles sentirão falta dessas horas de alegria, assim logo podemos tomar alguma atitude. Utopia sem fim.

18 junho 2009

Pequena Reflexão sobre Analfabetismo Político

Não, o que pretendo enfocar nesse texto não é a questão do analfabetismo real de pessoas que não sabem ler e escrever, ou analfabetismo funcional, semi-analfabetismo, ou ainda crianças que chegam ao fim do ensino fundamental praticamente semi-analfabetas. Tão pouco é sobre as pessoas que sabem ler mas não o fazem. O analfabeto político muitas vezes é sim essas pessoas. Porém há muitos outros até com doutorados e bons empregos.
A política a que me refiro não é, necessariamente, a política partidária, esquerda e direita, tão confusas atualmente, uns dizem que esse embate ideológico perdeu o sentido, porém essa parece ser mais uma forma de analfabetismo político. Ou ao velho clichê "vote consciente", não acredito que política se resuma a ser eleitor. Refiro-me a política num sentido mais amplo, presente em todos os lugares, política no sentido de vida em comunidade.
Nada mais equivocado do que se dizer apolítico, como se pudesse ser alheio aos fatos que o cercam. Se posicionar "apoliticamente" não é nada mais do que concordar com as coisas como são. Igualmente se imaginar neutro em relação aos acontecimentos, neutralidade é uma idealização dificilmente aplicável à realidade. Não somos neutros em nossas ações, conscientes disso ou não, mesmo escolher não agir já um posicionamento.
Em nossas ações cotidianas somos políticos, nos posicionamos politicamente. Se se é um professor, ensina por quê? Com vista a que? Para beneficiar quem? Quais ideologias estão por trás do ensino? Conhecimento não é neutro. Da mesma forma um cientista, quais são as implicações de suas pesquisas? Interessa a quem e por quê? Ou um advogado, advoga a favor de quem? Interpreta a lei de acordo com quais interesses? Artistas, arte tem muito de subjetividade, porém também emite uma opinião, pinta uma bela paisagem ou fotografa as ruas sujas, mal cuidadas e com mendigos?
Analfabetismo político é pensar poder ignorar tudo isso, não importa o grau de escolaridade. É não reconhecer a complexa rede social na qual nós seres humanos estamos inseridos, ninguém está isolado, nossa ação ou não ação é válida, ninguém pode se dar ao luxo de ser apolítico. No entanto é bem mais fácil se esconder atrás dessa idéia, porque emitir uma opinião é se comprometer, e mais ainda, agir politicamente exige a responsabilidade por essa ação.

__ Reflexões (que servem muitas vezes para mim e para muita gente, em nossa apatia política) após ler um artigo de Paulo Freire "O PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO POLÍTICA", disponível em http://www.projetomemoria.art.br/PauloFreire/obras/artigos/6.html