Não é fácil tomar as rédeas de um país com os “cavalos” em movimento. Apesar de todo o esforço que um presidente possa oferecer para endireitar os erros anteriores, sempre terá algo que ele não fez, mas que levará a culpa. Em contrapeso aos lados negativos de tomar posse com um antigo governo que não tenha sido de todo bom, há sempre os pontos positivos – esses sim bem aproveitados – que um governo atual pode levar pelo anterior. É de indignar quando em alguma discussão política as pessoas comparam o governo Lula ao FHC, tomando por parte as ações de Fernando Henrique como se fossem de Lula.
Apesar da minha memória curta com nomes, datas, siglas e outras coisas mais, lembro-me muito bem de há um tempo ter visto em algum meio de comunicação um artigo baseado em fatos – diferente do que muitos dos defensores do atual governo fazem – sobre como as ações de FHC continuam resultando em pontos positivos para nosso Brasil, ainda hoje. A maioria das pessoas que me conhecem, sabem o desprezo que tenho pelo nosso atual presidente – governo -, mas não estou aqui apenas para falar mal do mesmo, afinal jamais proferi uma palavra contra o seu excelentíssimo sem que os fatos estivessem ao meu favor. Realmente o crescimento do Brasil é evidente, não quero tirar isso do nosso povo, mas falta percepção para a maioria perceber é que o crescimento é “normal”. Nada mais lógico que o país hoje, esteja – em alguns pontos – mais avançado que na época do FHC, mas agora volto para o tal artigo que citei antes. O texto, cujo meu esquecimento não deixa lembrar mais detalhes, representava em números o crescimento que o Brasil tinha no governo passado, e o que tem no governo atual. Pois bem, como já era de se esperar – pelo menos para quem não possui nenhum fanatismo esquerdista – os avanços são constantes, o mesmo crescimento que tínhamos no nosso “ex-governo” temos hoje.
Como um gaúcho, preciso me prender a usar exemplos do meu estado. Nossa atual governadora – Yeda Crusius – sofreu e sofre até hoje diversas críticas vindas de todos os lados. Há um tempo economistas diziam que o RS era um caso perdido que jamais conseguiriam contornar o seu estado econômico, passamos pelo governo de Olívio Dutra que infelizmente terminou de quebrar o estado e depois por Germano Rigotto. Enfim chegou Yeda, uma economista de mão cheia que não tardou a tomar providências eficazes para “ajeitar” o Rio Grande. Porém a grande oposição não leva em conta o déficit zero que a governadora conseguiu alcançar, e apesar da visão pessimista de outros economistas e estudiosos, o gaúcho pode finalmente ver seu estado num recomeço. Embora seja difícil manter o foco, não estou aqui para defender um governo ou outro, estou para destacar a falta de memória do brasileiro – e não é uma falta de memória como a minha que pouco importa –, a falta de percepção e de reflexão desse povo e a facilidade com que são manipulados. Ao invés de analisar dados concisos para chegar a um “veredicto”, o povo engole qualquer notícia negativa ou positiva que os é apresentada, tudo seguindo apenas sua ideologia sem nenhuma percepção lógica.
Falta razão e sobra emoção na hora de decidir por um candidato, falta analisar os fatos passados, afinal olha onde está Collor, Sarney e tantos outros. A verdade está escancarada e nada se faz, isso é fato. As pessoas tendem a lembrar o que acontece hoje e ligar diretamente ao primeiro que conseguem, não pensam se aquilo não seria culpa do governo passado – que talvez venha a ser seu governo futuro -, é uma falta de vontade, me parece. Num país onde o povo vive que nem cavalo em desfile de sete de setembro – cagando e andando – não podemos ter nenhum tipo de esperança. Pena eu tenho do governo que sucederá o atual – agora falando em âmbito nacional – se Dilma levar tudo bem, as tramóias continuarão a ser escondidas; o “furo” na economia dificilmente será revelado, tudo ficará supostamente bem, mas se Serra – partindo do pré-suposto que ele será o candidato – chegar ao tão desejado cargo político... Só espero que a culpa de tudo que vem a se revelar nos próximos anos seja ligado ao governo Lula, se forem revelações positivas, maravilha – viva o Lula! –, agora quero ver quem o irá criticar quando muita coisa aparecer. Aposto que em muitos anos estará “escorado” em um cargo tendo ou não estragado com o país. Pior que a herança que ficará pra o próximo governo apenas a herança que Sebastian Piñera levou de Michelle Bachelet – não que os tremores tenham sido sua culpa, mas que pepino.
Fica de aviso, para pensarmos mais e analisarmos os fatos ao invés de sair falando a primeira coisa que nos é exposto. Ser um bom político é uma coisa, outra coisa completamente diferente é ser um bom administrador. Vejo Lula como um ótimo político, sem precedentes, populista, comparável a Getúlio, agora de administrador pra mim não tem nada, veremos nos próximos anos o quão errado estou.
