Quando comecei a ouvir aquele axé percebi pra onde fora transportado. Era início de junho, mas aquele cais parecia estar sob um luar de fevereiro. Todo aquele movimento de uma beirada à outra, de quílômetros de mesas da Skol, do bastante iluminado e insalúbre cais de Tucuruí, me transportara pra essas atmosferas fantasmas do nordeste. Naquele caos carnavalesco, não sei se estava no Hades ou num Elísio, mas estava divertido. Dividindo o porto há um simpático e esguio farol de alvenaria, rodeado de postes e uma ponte, sob a qual fluem as águas do sistema de saneamento, talvez não tão saneadas assim, para o rio. Perambulando, achei a mesa de um antigo amigo de infância daqui e me sentei, olhei pras águas negras do gigante Tocantins, e pensei: "Aquele povo alí, tomando banho... É como se visse gurus no Ganges, dividindo a água com barquinhos de merda". Desde que esta cidade surgiu, dos restos humanos e pétreos da segunda maior Usina HidrElétrica, mal infraestruturada e marginalizada do poder público, água é o que não falta pra todo cidadão, do mendigo ao grande latifundiário. Vendo o fluxo de água constante sob a ponte à distância, e aqueles cubos de gelo, talvez não muito limpos, no meu copo de whisk, lembrei que sobre a água desta cidade não há imposto algum. Que o diga a simpática tia da caixa de gelo; alí havia peso pra me dar dor nas costas por meses. A caixa era enorme e a larga tampa levantava e abaixava frenética, liberando os espolios de Baco. De fato, não há boleto fiscal pra água; não pagamos talvez por morarmos do lado de uma enorme represa. Pelos deuses! Não vou ficar citando o desperdício de água, tão banal nesta cidade, não sou do green peace. Odeio golfinhos. Também não citaria o conluio entre o governo paraense e a UHE, que desfavorece Tucuruí elitizando a vila adjacente à Usina... Onde eu estava? O brilho daquela noite! Amazônica e úmida. Meninas dançando ao rítmo dos orixás rodeavam nossa mesa, todas bronzeadas pelo sol dos trópicos, animadas pelo som dos atabaques. Nesta noite percebi como as divindades africanas permeiam as letras dos axés. Ouvindo os nomes de Oxossi, Obá e Iemanjá, citados nas beiras das matas e praias, senti, como nunca, o caos. A amplitude que vi, de relance, naquele sincretismo religioso e cultural, alí presente; analogias com os panteões gregos e latinos de deuses humanizados; de dramas humanos, em leitos divinos de pura mácula e desejo; imaginando tudo aquilo como uma releitura determinista de Roma eu... Precisei dar um bom gole do velho Escot e pedir um cigarro pra um transeunte. Quem fuma sabe, sempre haverão chatolinos pedindo um pito ou um picado. Mais pessoas chegavam, e a certa altura a vida pululava como num dia quente de feira, só que sob um céu negro de lua cheia. Entre carrinhos de carne no espeto e pipoca, caixas de cerveja, carros de som e dançarinas de carimbó, soube, apesar de tudo, que eu adoro ser brasileiro.
03 agosto 2009
Quando comecei a ouvir aquele axé percebi pra onde fora transportado. Era início de junho, mas aquele cais parecia estar sob um luar de fevereiro. Todo aquele movimento de uma beirada à outra, de quílômetros de mesas da Skol, do bastante iluminado e insalúbre cais de Tucuruí, me transportara pra essas atmosferas fantasmas do nordeste. Naquele caos carnavalesco, não sei se estava no Hades ou num Elísio, mas estava divertido. Dividindo o porto há um simpático e esguio farol de alvenaria, rodeado de postes e uma ponte, sob a qual fluem as águas do sistema de saneamento, talvez não tão saneadas assim, para o rio. Perambulando, achei a mesa de um antigo amigo de infância daqui e me sentei, olhei pras águas negras do gigante Tocantins, e pensei: "Aquele povo alí, tomando banho... É como se visse gurus no Ganges, dividindo a água com barquinhos de merda". Desde que esta cidade surgiu, dos restos humanos e pétreos da segunda maior Usina HidrElétrica, mal infraestruturada e marginalizada do poder público, água é o que não falta pra todo cidadão, do mendigo ao grande latifundiário. Vendo o fluxo de água constante sob a ponte à distância, e aqueles cubos de gelo, talvez não muito limpos, no meu copo de whisk, lembrei que sobre a água desta cidade não há imposto algum. Que o diga a simpática tia da caixa de gelo; alí havia peso pra me dar dor nas costas por meses. A caixa era enorme e a larga tampa levantava e abaixava frenética, liberando os espolios de Baco. De fato, não há boleto fiscal pra água; não pagamos talvez por morarmos do lado de uma enorme represa. Pelos deuses! Não vou ficar citando o desperdício de água, tão banal nesta cidade, não sou do green peace. Odeio golfinhos. Também não citaria o conluio entre o governo paraense e a UHE, que desfavorece Tucuruí elitizando a vila adjacente à Usina... Onde eu estava? O brilho daquela noite! Amazônica e úmida. Meninas dançando ao rítmo dos orixás rodeavam nossa mesa, todas bronzeadas pelo sol dos trópicos, animadas pelo som dos atabaques. Nesta noite percebi como as divindades africanas permeiam as letras dos axés. Ouvindo os nomes de Oxossi, Obá e Iemanjá, citados nas beiras das matas e praias, senti, como nunca, o caos. A amplitude que vi, de relance, naquele sincretismo religioso e cultural, alí presente; analogias com os panteões gregos e latinos de deuses humanizados; de dramas humanos, em leitos divinos de pura mácula e desejo; imaginando tudo aquilo como uma releitura determinista de Roma eu... Precisei dar um bom gole do velho Escot e pedir um cigarro pra um transeunte. Quem fuma sabe, sempre haverão chatolinos pedindo um pito ou um picado. Mais pessoas chegavam, e a certa altura a vida pululava como num dia quente de feira, só que sob um céu negro de lua cheia. Entre carrinhos de carne no espeto e pipoca, caixas de cerveja, carros de som e dançarinas de carimbó, soube, apesar de tudo, que eu adoro ser brasileiro.
31 julho 2009
Mudando de assunto.
Não é ironia. Decidi mudar mesmo.
Quantos livros já leu este ano? Quantas vezes abriu o jornal esta semana? Pode citar alguma revista que costuma te entreter?
Pois bem, todos já devem saber sobre o que vou falar. Se não sabem ai vai: a leitura. Ler é saber já diziam alguns, a leitura é algo surpreendente. Abre o pensamento, acalma os ânimos, nos trás conhecimento e sempre é uma boa forma de passar as horas.
Ler não é “comer” livros, não é gastar fortunas com obras da “moda” e principalmente ler não é e não pode ser uma obrigação. Os principais motivos da leitura são a cultura e conhecimento que obtemos. Com certeza é isso que para muitos falta.
O Brasil não é muito conhecido pelo hábito de leitura, maioria da sua população não adquiriu esse costume, e embora muitos fazem de tudo para educar nossas crianças para mudar o futuro, ainda estamos longe de chegar ao ideal.
Poder discutir impondo nossas opiniões, ter opiniões, fazer valer aquilo que pensamos filtrar as “impurezas” das informações, são coisas que a leitura nos proporciona. Incentivar a leitura deve ser prioridade no ensino e talvez possamos esperar por um futuro melhor.
Viva a leitura, viva aos leitores, viva aos escritores e viva aos blogueiros que tentam a todo custo trazer algo que alimente a fome do saber.
Uma semana ao menos sem dar espaço a quem não o merece no blog. Chega dessa brincadeira com nosso país.
24 julho 2009
Redução da Jornada de Trabalho
De acordo com tal forma de pensar, feriados, redução da jornada de trabalho é preguiça. Na minha forma de pensar é qualidade de vida. Porque a vida não pode se resumir apenas a trabalho, lucros, índices estatísticos e crescimento econômico.
Saiba mais sobre a PEC 231/95
http://www2.camara.gov.br/homeagencia/materias.html?pk=129607
Acompanhe a tramitação
http://www.camara.gov.br/sileg/Prop_Detalhe.asp?id=14582
20 julho 2009
16 julho 2009
São tantas informações...
Alguns meses para cá vemos uma nova gripe se espalhando pelo mundo de forma epidêmica, pandemia denomina-se. A mídia exalta a mesma como algo catastrófico – lê-se mídia brasileira – e não quero que pensem que não me preocupo, pois ao contrário é sim preocupante, mas não da maneira que estão expondo.
Todos os anos inúmeras pessoas espalhadas pelo mundo enfrentam aqueles chatos sintomas da gripe “comum”, aquela que conhecemos desde pequenos, que para muitos pode ser evitada com as receitinhas da vovó. Pois bem, novidade sempre gera pânico, a falta de informação aumenta esse pânico ainda mais, e nem quero falar da informação equivocada.
Para os mais leigos, melhor, diria apenas: para os desinformados, a nova gripe ou gripe suína ou até mesmo – agora com um novo nome para não “atacar” os pobres dos porcos que nada haver tem com o assunto – a Gripe A é algo aterrorizante que está se espalhando e fazendo centenas de vítimas mundo a fora. Informação por parte correta, mas o que muitos não sabem é que da mesma forma a nossa gripe “corriqueira”, velha conhecida, mata muitas (prefiro usar “muitas”, pois não tenho os dados) pessoas. Uma gripe sem os cuidados certos pode se transformar em epidemia e ser ainda mais nociva para crianças e idosos, cujo sistema imunológico é mais frágil.
Não sou doutor, não tenho a mínima vontade de ser e nem invejo quem o é, mas a informação que trago é apenas o que ouço e leio diariamente. Qualquer infectologista fala que este alarde é a maior besteira, precisamos nos cuidar, mas não deixar de viver por algo que com certeza é menos nocivo que outros vírus que nos tomam conta, principalmente no inverno.
Talvez esse seja um ponto positivo para o Sarney e sua turma, afinal toda a safadeza foi ofuscada por uma doença que nem precisaria de tanta atenção, mas quem faz a notícia é a mídia e nem todos são espertos o suficiente para filtrar e reconhecer o que é certo e o que é errado. Informação é informação, tudo pode ser mentira até que se comprove o contrário, até este texto pode ser uma bobagem, mas com certeza os leitores saberão filtrar tudo muito bem, pois há grande diferença dos amigos que aqui passam e daqueles que veem noticiário apenas porque esperam a “novelinha das oito”.
09 julho 2009
03 julho 2009
“O povo não esquece Sarney é PDS”
“O povo não esquece Sarney é PDS” Essa famosa frase da época
Hoje Sarney está no PMDB que foi formado pelos integrantes do MDB, a antiga oposição à ARENA. Parece que filiação ideológica não é o forte desse senador, que caminhou por onde o vento soprava e figura agora entre os principais representantes de um partido ao qual era oposição.
Na atualidade Sarney é senador e esta no meio de um escândalo de corrupção, é o presidente do senado. Se não fosse a historia ninguém diria que algum dia Sarney não fez parte do PMDB, não só faz parte atualmente como é um dos principais de seus representantes.
Lula se esqueceu do PDS, defende o presidente do senado, defende o coronel do Maranhão. Rivais que governam juntos, isso é a política brasileira que muito se assemelha ao futebol, no sentido dos jogadores, que não se importam com o time ou com o técnico, ou mesmo com os colegas de equipe. O importante é fazer de tudo para continuar jogando. Só que há uma pequena diferença, os jogadores trocam de time pelo talento ou pela falta dele, recebem para dar o melhor em campo e representar todo um time. Já os políticos pouco se importam com o “time” que estão representando, Prestes não apoiou Vargas depois que este mandou sua mulher para ser executada na Alemanha? É a política da governabilidade, faz-se de tudo pela governabilidade.
Orgulho, ódio, raiva, rancor isso parece não existir no governo. Homens que não tem sentimentos, que foram torturados trabalham hoje do lado dos que torturavam. Aqueles que traem a si mesmos, traem qualquer um. Essa é a moral e a memória Brasileira, ambas são curtas e optam pela “governabilidade” ou seja o poder a qualquer custo!
Vida longa ao coronel do Maranhão e ao torneiro mecânico que virou presidente, o homem que sentiu a pobreza nordestina na pele, protege o coronel!



